TCE-MG cobra explicações sobre contrato de exploração de nióbio em Araxá

Tribunal quer evitar judicialização e propõe conciliação entre Codemig, CBMM e Comipa; caso apura perdas bilionárias para o Estado de Minas Gerais

Carlos Cravinhos
Imagem mostra fachada da CODEMGE
Foto: CODEMGE

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) determinou, nesta quarta-feira (9), que três empresas envolvidas na exploração de nióbio em Araxá, no Alto Paranaíba, se manifestem em até 30 dias sobre a possibilidade de instalar uma mesa de conciliação. A iniciativa busca uma solução consensual para as divergências contratuais entre a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Companhia Mineradora de Pirocloro de Araxá (Comipa).

A medida foi aprovada durante a 18ª Sessão Ordinária do Tribunal Pleno, a partir de voto do conselheiro Telmo Passareli. Ao optar pela tentativa de acordo, o TCE-MG pretende evitar a judicialização de um caso considerado sensível e de alto impacto financeiro para o Estado. O processo em questão, de número 1.092.368, teve origem em uma representação do Ministério Público de Contas de Minas Gerais (MPC-MG), que aponta fragilidades na auditoria que embasou o atual modelo de exploração do mineral.

Segundo o MPC-MG, a apuração técnica revelou falhas de governança e ausência de critérios mínimos de auditoria, comprometendo a legalidade e a equidade do contrato firmado entre a estatal mineira e a mineradora privada. O caso ganhou repercussão após declaração do ex-presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, em audiência pública realizada em 2019. Na ocasião, ele afirmou que Minas Gerais teria deixado de arrecadar bilhões de reais com a atual forma de exploração do nióbio.

Em nota, o TCE-MG afirmou que a discussão sobre a necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro no contrato não é recente e já vinha sendo debatida em outras instâncias. Em junho, o tema foi levado à Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em audiência pública que abordou possíveis prejuízos ao erário estadual.

Entre os principais pontos de contestação estão a desproporção nos teores de nióbio das jazidas — identificada desde 2013 — e as condições consideradas desfavoráveis ao Estado no atual modelo de concessão, que envolve a maior reserva conhecida do mineral no mundo.

A exploração do nióbio voltou ao centro do debate político em janeiro deste ano, quando a Codemig foi listada como ativo estratégico na proposta do governo mineiro para aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal.

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário