Uma tecnologia social de alta eficiência criada em Minas Gerais acaba de receber um reconhecimento nacional. O Sistema Integrado de Produção de Alimentos, amplamente conhecido como Sisteminha, venceu o Prêmio Fortec de Inovação. A premiação nacional destaca as melhores soluções que geram forte impacto socioambiental a partir de patentes registradas no país.
O anúncio oficial ocorreu durante o encontro do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia, sediado em Campina Grande. A iniciativa nasceu dentro dos laboratórios da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria direta com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Como funciona a tecnologia de baixo custo
A criação do sistema baseia-se na pesquisa inovadora desenvolvida por Luiz Carlos Guilherme durante seu doutorado, concluído no ano de 2005. Em resumo, o projeto une de forma inteligente a criação de peixes ao cultivo de hortaliças sem solo, técnica conhecida como hidroponia. Toda a água do sistema circula de maneira contínua, o que evita o desperdício de recursos hídricos.
Portanto, o grande diferencial do projeto está em seu filtro biológico adaptado. Esse equipamento utiliza cordas de nylon recicladas para realizar a filtragem. Graças a essa solução simples e ecológica, o custo de fabricação cai cerca de 99% na comparação direta com os biofiltros industriais disponíveis no mercado.
A partir desse modelo de pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) moldou o Sisteminha como ele opera hoje. A Agência Intelecto da UFU cuida de toda a parte de proteção intelectual e faz a gestão estratégica das licenças. Desse modo, o órgão garante o uso gratuito para famílias em vulnerabilidade e contratos comerciais para o mercado privado.
Impacto social e alcance internacional
Atualmente, a iniciativa transforma a realidade de aproximadamente 4.500 famílias espalhadas por 11 estados brasileiros. Além disso, o projeto já ultrapassou as fronteiras nacionais e está presente de forma ativa em oito países do continente africano, incluindo Angola e Moçambique.
No Brasil, o modelo avança com força em territórios indígenas, comunidades quilombolas e áreas de pequenos produtores rurais. A tecnologia de baixo carbono também representou o país na COP 30, realizada em Belém. No passado, o projeto também faturou o prêmio internacional FAO Champion Award, consolidando seu papel na segurança alimentar global.

