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Regionalzão – Maior portal do interior de Minas > Notícias > Cotidiano > Triângulo: MPF denuncia dois por manterem trabalhadores em condições análogas à escravidão
Cotidiano

Triângulo: MPF denuncia dois por manterem trabalhadores em condições análogas à escravidão

Vítimas foram resgatadas de carvoaria em Tapira (MG) sem água potável ou banheiros; Procuradoria pede indenização de R$ 100 mil para cada trabalhador.

Carlos Cravinhos
Por
Carlos Cravinhos
Publicado 4 de fevereiro de 2026, 11:47
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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois homens acusados de submeter sete trabalhadores a condições análogas à escravidão na zona rural de Tapira, no Triângulo Mineiro. A denúncia aponta que o grupo atuava em uma carvoaria sob circunstâncias degradantes, sem acesso a saneamento básico ou segurança.

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Segundo o órgão, as vítimas foram recrutadas nos municípios de Sete Lagoas, Bocaiuva e São João do Paraíso entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021. A acusação sustenta que houve aliciamento fraudulento, uma vez que os trabalhadores aceitaram as vagas sob a falsa promessa de bons salários e garantia de direitos trabalhistas.

A fiscalização, realizada entre março e abril de 2021 por auditores fiscais do trabalho e pela Polícia Militar, constatou que o grupo era mantido em alojamentos improvisados. As construções tinham paredes de tijolos sem reboco e telhados precários, que permitiam a entrada de poeira e insetos.

Condições degradantes

De acordo com o MPF, o local não possuía banheiros funcionais. Sem chuveiros ou vasos sanitários, os trabalhadores eram obrigados a tomar banho com baldes e realizar necessidades fisiológicas no mato.

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“Os colchões dos alojamentos, rasgados e deteriorados, não asseguravam qualquer condição mínima de repouso”, diz trecho da denúncia. A água consumida para beber, cozinhar e para higiene era retirada de um córrego próximo e armazenada em caixas semiabertas, sem qualquer tipo de tratamento ou purificação.

O isolamento geográfico da propriedade e a falta de recursos financeiros impediram que as vítimas retornassem às suas cidades de origem, configurando a restrição de liberdade.

Risco à saúde

Além das condições de moradia, o MPF relatou grave risco à segurança nas frentes de trabalho. Os denunciados não forneciam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários para o corte de madeira e operação dos fornos de carvão. A alimentação fornecida ao grupo também foi classificada como insuficiente.

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Para o procurador da República Onésio Soares Amaral, autor da denúncia, o caso representa uma “violação cruel da dignidade humana”.

“Não é apenas desrespeito às normas de proteção ao trabalho, mas também desprezo por condições mínimas de saúde, segurança, higiene, respeito e alimentação”, afirmou Amaral.

O MPF pede a condenação dos acusados pelos crimes de aliciamento fraudulento e redução de pessoas à condição análoga à de escravo.

A denúncia requer ainda que a Justiça Federal determine o pagamento de uma indenização mínima de R$ 100 mil por danos morais a cada uma das sete vítimas resgatadas.

Foto: Gemini
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