Uma rede de perfis de entretenimento sediada em Uberlândia figura no centro de uma ofensiva digital coordenada contra o Banco Central (BC). A página “Alfinetei“, que acumula 25,3 milhões de seguidores no Instagram, e seus sócios são apontados como peças-chave na disseminação de críticas à atuação da autoridade monetária durante a liquidação do Banco Master, ocorrida no fim de dezembro.
Por trás da página estão três sócios ligados a um ecossistema de, ao menos, cinco empresas formalmente registradas e uma rede de perfis que, somados, atingem quase 40 milhões de seguidores. A conexão com o Triângulo Mineiro se dá através das sedes das empresas e da atuação direta dos administradores.

O principal nome do grupo é João Guilherme Chagas Gabriel. Embora se apresente nas redes sociais como CEO de seis páginas, os registros formais apontam sua ligação com cinco CNPJs. Ele atua em conjunto com Marcos Almeida de Lima, sócio-administrador das empresas que controlam as páginas “Alfinetei” e “Babadeira”. Ambas as companhias têm sede registrada em Uberlândia.
A “Babadeira”, também focada em notícias de famosos, opera na mesma lógica de alcance massivo. Marcos Almeida, que exibe em seu perfil pessoal viagens à Europa e fotos com artistas, é uma das pontes operacionais do grupo na cidade mineira.
A atuação do grupo chamou a atenção das autoridades e do setor bancário após a decretação da liquidação do Banco Master pelo BC, em novembro, operação que está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
Um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), identificou um pico anormal de 4.560 publicações em 27 de dezembro. A ofensiva, concentrada em um intervalo de 36 horas, disparou críticas à autarquia federal em plataformas como Instagram, X (antigo Twitter) e Facebook.
A análise aponta indícios de impulsionamento artificial (uso de robôs). A própria “Alfinetei” publicou montagens ironizando a rapidez da liquidação do banco, misturando o tema técnico com a linguagem visual de fofoca. A mudança repentina de pauta, de celebridades para política monetária, gerou estranhamento e questionamentos de seguidores na seção de comentários.
Além das operações em Uberlândia, a rede conta com um terceiro sócio, Marcos Vinicios Fernandes da Silva, conhecido digitalmente como “Vinicios Milhomem”. Com 848 mil seguidores e um conteúdo focado em engajamento através de perguntas cotidianas e polêmicas, ele figura como sócio de três empresas sediadas em São Paulo: “Seu Filme Favorito Ltda.”, “Seu Dorama Favorito Ltda.” e “Histórias Chocantes Ltda.”. Todas têm João Guilherme como administrador.
A descrição institucional da “Alfinetei” afirma que o grupo é formado por “criadores e curiosos da cultura pop”, com o objetivo de compartilhar novidades de jeito descontraído. Na prática, a página funciona como uma vitrine de grande alcance que intercala “alfinetadas” em famosos com temas institucionais, frequentemente ostentando o selo de divulgação de casas de apostas.
