A Prefeitura de Uberlândia formalizou a criação do programa Entrelaços, uma nova estratégia intersetorial para o atendimento a mulheres em situação de violência na cidade. A iniciativa, instituída pela Portaria Conjunta nº 001/2026, tem como objetivo principal acabar com a fragmentação do serviço público, unindo as pontas da assistência social e da saúde pública.
O programa estabelece um fluxo direto entre a Casa da Mulher, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDES), e a RAPEV (Rede de Atenção para Prevenção e Enfrentamento às Violências), braço da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A medida visa cumprir diretrizes da Lei Maria da Penha e do Estatuto da Criança e do Adolescente, tratando a violência não apenas como caso de segurança pública, mas como uma questão de saúde coletiva e direitos humanos.
Pelo novo protocolo, a mulher que procurar a Casa da Mulher passará por uma triagem inicial e avaliação sociofamiliar. Identificada a situação de violência, os dados serão encaminhados via sistema para a RAPEV, que ficará responsável por articular o atendimento médico e psicológico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou serviços de referência.
O texto da portaria, assinado pelos secretários Katia Santiago Guimarães (Desenvolvimento Social) e Adenilson Lima e Silva (Saúde), destaca a necessidade de “escuta qualificada e sigilo das informações”.
A integração promete resolver um gargalo comum no serviço público: a revitimização da mulher, que muitas vezes precisa relatar o trauma repetidamente em guichês diferentes. Com o Entrelaços, a proposta é que o histórico e o encaminhamento sejam unificados.
Além do suporte médico, o programa enfatiza a autonomia financeira como porta de saída do ciclo da violência. Cabe à pasta de Desenvolvimento Social garantir não apenas o acolhimento, mas a orientação para acesso a cursos profissionalizantes e inserção no mercado de trabalho.
Do lado da saúde, a prioridade será a avaliação para atendimento psicológico. O documento prevê retaguarda especializada e apoio matricial às equipes da Atenção Primária, garantindo que o atendimento na ponta, nos postos de saúde dos bairros, seja humanizado.
A criação do Entrelaços ocorre em um momento em que municípios de médio e grande porte buscam fortalecer suas redes de proteção. A violência doméstica segue como um dos principais fatores de morbimortalidade feminina no país.
O programa prevê monitoramento periódico dos casos e reuniões conjuntas entre as secretarias para avaliar a eficácia dos encaminhamentos. A portaria entra em vigor imediatamente após sua publicação oficial.

