Dois grandes grupos do setor de saneamento se credenciaram para participar do leilão de privatização da Copasa. As empresas interessadas são a Aegea e a Sabesp, atualmente controlada pela Equatorial.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo Valor Econômico. O prazo para o credenciamento terminou na última sexta-feira (8), em uma etapa considerada decisiva para o avanço da desestatização da companhia mineira.
Os dois grupos apresentaram a documentação exigida para seguir na disputa pela fatia majoritária da empresa. O governo de Minas pretende negociar cerca de 30% das ações da estatal com um investidor de referência. Atualmente, o Estado possui pouco mais de 50% da companhia.
Pelo modelo mais provável em discussão, outros 15% das ações também seriam vendidos de forma pulverizada no mercado, enquanto o governo manteria participação minoritária de aproximadamente 5%.
Para participar da fase preliminar, os grupos interessados tiveram de cumprir exigências financeiras robustas. Entre elas, a apresentação de carta de fiança de R$ 7 bilhões e comprovação de investimentos anteriores superiores a R$ 6 bilhões em infraestrutura. A etapa contou ainda com acompanhamento da B3.
Disputa deve ficar concentrada em grupos nacionais
A expectativa do mercado era de que a oferta pública fosse lançada ainda na semana passada, mas isso não ocorreu. Um dos fatores que contribuíram para o adiamento foi a movimentação no Supremo Tribunal Federal envolvendo uma ação que questiona a privatização da companhia.
O ministro Luís Roberto Barroso decidiu levar diretamente ao plenário da Corte o julgamento da ação que discute a constitucionalidade do processo de desestatização. A decisão acabou aumentando a cautela do governo mineiro antes do lançamento oficial da oferta ao mercado.
A tendência, neste momento, é de que a disputa pela Copasa fique concentrada entre os dois grupos nacionais já credenciados. A Aegea é atualmente uma das maiores operadoras privadas de saneamento do país, enquanto a Sabesp passou recentemente por um processo de privatização em São Paulo, com a Equatorial assumindo posição de controle.
Privatização é uma das principais agendas do governo mineiro
A venda da Copasa é tratada como uma das pautas econômicas prioritárias da gestão estadual. O governo argumenta que a entrada de capital privado pode ampliar investimentos em saneamento e acelerar metas de universalização dos serviços.
Por outro lado, sindicatos e partidos de oposição criticam o projeto, alegando risco de aumento tarifário e perda de controle público sobre um serviço essencial.
A companhia atua em centenas de municípios mineiros e possui papel estratégico no abastecimento de água e tratamento de esgoto em Minas Gerais.

