O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou um financiamento de R$ 4,64 bilhões para a estatal espanhola Aena investir na expansão de 11 aeroportos brasileiros, incluindo os de Uberlândia e Uberaba, no Triângulo Mineiro. O principal projeto será em Congonhas, em São Paulo, que receberá quase metade dos recursos.
A decisão foi tomada nesta segunda-feira (1º.dez.2025). A maior parte do dinheiro será liberada por meio de emissão de debêntures (R$ 4,24 bilhões), complementada por financiamento direto de R$ 400 milhões. Os recursos virão do BNDES Finem, linha destinada a projetos de infraestrutura.
A Aena, que já administra diversos terminais no país, vem ampliando sua presença no setor. A maioria dos grandes aeroportos brasileiros passou, nos últimos anos, ao controle de grupos estrangeiros. Em novembro de 2025, a brasileira Motiva (ex-CCR) vendeu seus 17 aeroportos para o grupo mexicano Asur, reforçando essa tendência. Agora, a estatal espanhola deve ganhar ainda mais protagonismo, desta vez financiada pelo Estado brasileiro.
Construtoras nacionais que, no passado, tinham estrutura para atuar na gestão aeroportuária perderam espaço após o impacto da Operação Lava Jato, iniciada em 2014. Segundo levantamento do Poder360, o setor perdeu 89% do faturamento entre 2013 e 2019.

Congonhas
Dos R$ 4,64 bilhões aprovados, cerca de R$ 2 bilhões serão destinados ao Aeroporto de Congonhas. O projeto prevê um novo terminal de embarque e desembarque com cerca de 100 mil m² e uma área comercial de 20 mil m².
Também será construída uma nova sala de embarque remoto, usada por passageiros que se deslocam de ônibus até as aeronaves. O espaço terá 3.300 m², mais que o dobro da área atual. Segundo a Aena, Congonhas passará a ter capacidade para receber aviões de maior porte.
Minas Gerais
Além de Congonhas, outros 10 terminais receberão investimentos. Em Minas Gerais, Uberlândia, Uberaba e Montes Claros estão na lista, o que deve impulsionar a infraestrutura aérea regional e apoiar a demanda crescente por voos no interior do Estado.
Os demais aeroportos beneficiados ficam em:
- Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã
- Pará: Altamira, Carajás, Marabá e Santarém
O BNDES estima que as obras devem gerar mais de 2.000 empregos diretos e indiretos. Após a conclusão, devem surgir mais de 700 vagas permanentes. O banco não comentou o fato de o financiamento beneficiar uma estatal estrangeira.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o apoio faz parte da estratégia do governo Lula para ampliar o número de passageiros e melhorar os serviços aeroportuários. “Em 2024, os 11 aeroportos movimentaram 27,5 milhões de pessoas, o equivalente a 12,8% do total de passageiros do país”, afirmou.
A operação inclui ainda R$ 1,1 bilhão em debêntures coordenadas pelo BNDES em parceria com o Santander, totalizando uma oferta pública de R$ 5,3 bilhões. Embora de origem espanhola, o Santander tem no Brasil sua maior operação mundial, responsável por 30% do lucro global em 2023.
O projeto foi estruturado para que o pagamento do financiamento ocorra por meio da receita gerada pelos próprios aeroportos. A Aena também poderá refinanciar a dívida após a conclusão das obras, caso as condições de mercado melhorem.


