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Regionalzão – Maior portal do interior de Minas > Notícias > Economia > Descontos, preços e fidelização: quem ganha com a guerra das drogarias em Uberlândia?
Economia

Descontos, preços e fidelização: quem ganha com a guerra das drogarias em Uberlândia?

Expansão acelerada das grandes redes amplia benefícios ao consumidor, pressiona drogarias locais e revela os desafios econômicos e regulatórios do setor

Eloi Naves
Por
Eloi Naves
Publicado 24 de dezembro de 2025, 6:00
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A rápida multiplicação de drogarias transformou Uberlândia em um dos mercados mais competitivos do setor farmacêutico no interior do país. A chamada “guerra das drogarias” se intensificou nos últimos anos, marcada por preços agressivos, programas de fidelidade, abertura acelerada de novas unidades e estratégias cada vez mais sofisticadas para atrair e reter clientes.

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Redes nacionais como Drogasil, Pague Menos e Drogaria São Paulo disputam espaço, juntamente com a mineira Drogaria Araújo, com redes locais, como a Drogalider.

Diferença de preços virou regra

Em regiões de grande fluxo comercial, o mesmo medicamento pode ser encontrado com valores bastante distintos em drogarias separadas por poucos metros. A variação de preços está diretamente ligada ao uso do CPF, a aplicativos próprios e à adesão a programas de fidelidade, que oferecem descontos personalizados e promoções temporárias.

Para consumidores que fazem uso contínuo de medicamentos, a comparação de preços deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina, com impacto direto no orçamento mensal.

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Fidelização como principal arma competitiva

Mais do que reduzir preços, as grandes redes apostam na fidelização como estratégia central. Clubes de vantagens, campanhas exclusivas, ofertas direcionadas por aplicativo e descontos progressivos buscam garantir recorrência de compras e ampliar o relacionamento com o cliente.

Além dos medicamentos, produtos de higiene, beleza, conveniência e bem-estar passaram a ocupar papel relevante nas promoções, reforçando o posicionamento das drogarias como pontos de consumo frequente, e não apenas de venda de remédios.

CPF no centro da disputa e dos questionamentos

Apesar da concorrência acirrada, há um ponto em comum entre quase todas as redes: os questionamentos relacionados à captação e ao uso do CPF dos consumidores. O dado pessoal tornou-se peça-chave para a concessão de descontos e funcionamento dos programas de fidelidade, mas também passou a gerar controvérsias sob a ótica da proteção de dados.

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A Drogaria Araújo, por exemplo, já foi multada por órgãos de defesa do consumidor em processos relacionados ao uso de informações pessoais. Já a Drogasil também foi alvo de penalidades e investigações, inclusive com acusações envolvendo uso indevido e comercialização de dados de clientes, o que acendeu alertas sobre o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Especialistas apontam que o modelo de descontos atrelado ao CPF opera em uma linha sensível entre estratégia comercial e possível violação da legislação, especialmente quando o consumidor não recebe informações claras sobre como seus dados são armazenados, utilizados ou compartilhados.

A lógica econômica por trás da multiplicação das drogarias

A expansão acelerada das drogarias em Uberlândia está diretamente ligada a um fator econômico central: a queda gradual das margens de lucro dos medicamentos ao longo dos anos. Com preços cada vez mais pressionados pela concorrência e pela regulação, o setor passou a operar com margens mais estreitas, alterando a lógica tradicional do negócio.

Nesse cenário, a principal saída encontrada pelas grandes redes foi ganhar escala e aumentar o volume de vendas. Como o ganho por unidade vendida é menor, o faturamento só cresce de forma consistente quando há alto giro e grande quantidade de produtos comercializados.

Para atingir esse volume, as redes passaram a abrir novos pontos em ritmo intenso, muitas vezes com unidades muito próximas umas das outras. A multiplicação de lojas amplia a captação de clientes, aumenta a recorrência de compras e dilui custos operacionais.

Além disso, quanto maior a rede, maior o poder de negociação com laboratórios, distribuidores e demais fornecedores, o que contribui para reduzir custos de aquisição e compensar o achatamento das margens. A expansão territorial, portanto, não representa apenas crescimento físico, mas uma ferramenta essencial para sustentar o modelo financeiro do setor.

A lógica é semelhante à observada em supermercados e atacarejos, que também operam com margens reduzidas e dependem de alto volume, forte escala e grande giro para manter a rentabilidade.

Pressão sobre as drogarias locais

Enquanto o consumidor se beneficia no curto prazo, a concorrência acirrada impõe desafios às drogarias regionais. Com menor poder de negociação, estrutura mais enxuta e menor capacidade de investimento em tecnologia e marketing, redes locais enfrentam dificuldades para competir em igualdade com os grandes grupos.

Empresários do setor avaliam que, em áreas onde a disputa é mais intensa, pode haver fechamento de unidades menores ou consolidação do mercado nos próximos anos.

Benefício imediato e risco no médio prazo

Embora a guerra das drogarias resulte em preços mais baixos e mais opções para o consumidor atualmente, o avanço da concentração pode reduzir a diversidade de modelos de negócio no médio prazo. Com menos concorrentes independentes, a pressão sobre preços tende a diminuir.

Uberlândia, por ser polo regional de saúde, serviços e consumo no Triângulo Mineiro, tornou-se estratégica para as grandes redes farmacêuticas — o que ajuda a explicar a intensidade e a velocidade dessa disputa no município.

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