O endividamento segue como um dos principais desafios econômicos das famílias brasileiras. Pesquisa do Datafolha aponta que cerca de 70% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida, o equivalente a dois em cada três cidadãos no país.
O estudo, realizado com 2.002 pessoas em todas as regiões entre os dias 8 e 9 de abril de 2026, mostra que o problema vai além dos bancos e atinge diferentes formas de crédito, incluindo compromissos informais, como empréstimos entre amigos e familiares.
Inadimplência elevada e crédito caro preocupam
Entre os brasileiros endividados, uma parcela significativa enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia. O levantamento indica que:
- 29% estão com atraso no cartão de crédito
- 26% não quitaram empréstimos bancários
- 25% têm dívidas em carnês de lojas
Outro ponto de atenção é o uso do crédito rotativo — acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão. Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados recorrem a essa modalidade, conhecida pelos juros elevados e pelo risco de transformar dívidas em uma “bola de neve”.
Dívidas também atingem contas básicas
O endividamento não se restringe ao consumo. O estudo mostra que 28% dos brasileiros têm contas essenciais em atraso, evidenciando o impacto direto no custo de vida.
Entre as principais despesas em atraso estão:
- Telefonia e internet (12%)
- Tributos, como IPTU e IPVA (12%)
- Energia elétrica (11%)
- Água (9%)
Empréstimos informais e pressão financeira
A pesquisa também revela um dado relevante fora do sistema financeiro tradicional: 41% das pessoas que pegaram dinheiro emprestado com amigos ou familiares não conseguiram devolver.
Esse cenário contribui para o aumento da pressão sobre o orçamento. De acordo com o levantamento, 45% dos brasileiros vivem sob forte aperto financeiro, sendo:
- 27% em situação considerada “apertada”
- 18% em condição mais grave
Outros 36% enfrentam dificuldades moderadas, enquanto apenas 19% relatam menor nível de restrição no orçamento.
Impacto no consumo e na economia
O alto nível de endividamento reflete diretamente no consumo das famílias e na dinâmica econômica do país. Com grande parte da renda comprometida com dívidas, sobra menos espaço para gastos essenciais e investimentos, o que pode limitar o crescimento econômico.
O levantamento reforça que o crédito, embora seja um importante instrumento de acesso ao consumo, também pode se tornar um fator de risco quando associado a juros elevados e à perda de controle financeiro.

