Minas Gerais atingiu, em 2026, o maior nível de endividamento dos últimos cinco anos, segundo levantamento da Serasa Experian. Ao todo, os consumidores mineiros acumulam mais de 30 milhões de dívidas, que somam cerca de R$ 52,6 bilhões.
O volume representa um crescimento de aproximadamente 49% em relação a 2021, indicando uma escalada consistente no comprometimento da renda das famílias ao longo dos últimos anos.
Apesar de o dado incluir diferentes tipos de compromissos financeiros — como financiamentos, parcelamentos e crédito —, o aumento também se reflete na inadimplência. Em março deste ano, Minas contabilizou cerca de 7,87 milhões de pessoas com o nome negativado, alta de 8,7% na comparação com o mesmo período de 2025.
Pressão no orçamento das famílias
Especialistas apontam que o cenário é resultado direto da combinação entre inflação persistente, juros elevados e perda de poder de compra. Na prática, muitos consumidores já comprometem parte significativa da renda futura antes mesmo de recebê-la.
Esse comportamento tem gerado um efeito em cadeia: com menos dinheiro disponível no mês, cresce a dificuldade para quitar dívidas, o que ajuda a explicar o avanço da inadimplência no Estado.
Segundo análise do consultor financeiro Erasmo Vieira, o problema vai além dos números e reflete uma realidade cotidiana. Há casos em que o salário é direcionado quase integralmente para pagamentos de débitos, restando pouco para despesas básicas.
Tendência de agravamento
O aumento do endividamento em Minas acompanha uma tendência nacional, mas chama atenção pelo ritmo de crescimento recente. O avanço simultâneo das dívidas e da inadimplência indica que parte da população já atingiu o limite de capacidade de pagamento.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que o primeiro passo para reorganizar a vida financeira é mapear todas as dívidas e entender o peso de cada compromisso no orçamento mensal.

