Estoque de apartamentos cai em Uberlândia e indica mercado imobiliário aquecido

Redução na oferta de unidades reforça ritmo de vendas e pode pressionar preços nos próximos meses

Eloi Naves
Vista aérea da Zona Sul de Uberlândia, com empreendimentos da Brasal.
Vista aérea da Zona Sul de Uberlândia.Foto: Brasal Incorporação

O mercado imobiliário de Uberlândia registrou queda no número de apartamentos disponíveis, indicando um cenário de aquecimento do setor. Dados do Panorama do Mercado Imobiliário, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica para o Sinduscon, mostram que o estoque de unidades residenciais verticais caiu cerca de 7% na comparação entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025.

O movimento sinaliza que os imóveis estão sendo absorvidos pelo mercado em ritmo consistente, acompanhando o crescimento das vendas registrado no período.

A redução da oferta acontece em um contexto de aumento na demanda por apartamentos, impulsionada tanto por compradores em busca da casa própria quanto por investidores interessados na valorização imobiliária.

Na prática, quando o número de unidades disponíveis diminui e as vendas seguem em alta, o mercado tende a entrar em um ciclo de valorização. Isso ocorre porque a menor oferta de imóveis pode gerar maior concorrência entre compradores, pressionando os preços para cima.

Além disso, o cenário também estimula novos lançamentos por parte das construtoras, que buscam atender à demanda crescente por moradia em Uberlândia.

A reportagem do Regionalzão conversou com um profissional do mercado imobiliário da cidade para entender as perspectivas do setor. Segundo Gabriel Salgado, diretor da Prada Negócios Imobiliários, o cenário para os próximos anos aponta para um forte aquecimento, com expectativa de um verdadeiro “boom” no mercado imobiliário em 2026.

O cenário projetado pelo setor ganhou um reforço recente. O Banco Central decidiu, na última quarta-feira (18), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano. A medida tende a impactar diretamente o crédito imobiliário nos próximos meses.

De acordo com Gabriel Salgado, a recente queda da taxa Selic deve ter impacto direto no setor. “Com a redução dos juros, o custo do dinheiro diminui, o crédito imobiliário fica mais barato e as parcelas se tornam mais acessíveis, ampliando o acesso à casa própria”, explica.

O especialista destaca que esse movimento pode ampliar significativamente a base de compradores no país. “A queda dos juros deve permitir que milhões de famílias entrem no mercado imobiliário, aumentando o poder de compra e impulsionando as vendas”, afirma.

Outro efeito relevante é o estímulo ao setor da construção civil. “Com juros mais baixos, o custo de capital para incorporadoras também diminui, o que incentiva o lançamento de novos projetos e a retomada de obras”, pontua.

Salgado também ressalta que o cenário favorece a portabilidade de financiamentos e aumenta a atratividade dos imóveis como investimento. “Com a renda fixa rendendo menos, o mercado imobiliário volta a se destacar como uma alternativa interessante para investidores”, diz.

Apesar do cenário positivo, ele faz um alerta: o avanço da demanda pode pressionar ainda mais os preços. “Se a procura crescer mais rápido do que a oferta, a tendência é de valorização dos imóveis, especialmente em mercados já aquecidos como Uberlândia”, conclui.

Gabriel Salgado é corretor de imóveis e sócio-proprietário da Prada Imobiliária
Gabriel Salgado, sócio-diretor da Prada Negócios Imobiliários, em Uberlândia-MG

Com a combinação de vendas em alta, redução do estoque e perspectiva de queda nos juros, Uberlândia reforça sua posição como um dos mercados imobiliários mais dinâmicos do interior do Brasil, mantendo o setor aquecido e com perspectivas positivas para os próximos anos.

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