Fundada em Uberlândia em 2010, a Ghia é uma empresa especializada na gestão de patrimônio de famílias empresárias, com atuação que vai da administração de investimentos ao planejamento tributário, patrimonial e sucessório. O negócio começou cuidando principalmente dos recursos da família de um dos fundadores e, 16 anos depois, tornou-se um multifamily office com mais de R$ 5 bilhões sob gestão.
O próximo objetivo é dobrar de tamanho. A companhia quer alcançar R$ 10 bilhões sob gestão até 2030, impulsionada tanto pela expansão do family office quanto pelo crescimento da Ghia Asset Management, gestora criada em 2020.
Os planos foram detalhados por executivos da empresa em reportagem publicada originalmente pelo The AgriBiz. Atualmente, a Ghia cresce entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão por ano, sendo que pelo menos 35% desse avanço vem do agronegócio.
Negócio começou administrando patrimônio da própria família
Quando a Ghia surgiu, em 2010, a operação era concentrada principalmente na administração dos recursos da família de Gabriel de Paula Cestari, sócio-fundador da companhia.
Desde o início, porém, a proposta era construir uma estrutura que fosse além da escolha e administração de investimentos. A empresa passou a atuar também em questões tributárias, patrimoniais e na organização da sucessão das famílias atendidas.
O foco no interior do país acabou se transformando em uma característica do negócio.
Cestari contou ao The AgriBiz que, em 2018, percebeu em conversas com profissionais de São Paulo que havia pouco conhecimento até mesmo sobre Uberlândia. Para o empresário, a situação mostrava uma oportunidade de atender famílias do interior com uma estrutura adaptada às características desse público, em vez de simplesmente reproduzir modelos da Faria Lima.
Ao longo dos anos, a estratégia levou a Ghia aos atuais R$ 5 bilhões sob gestão.
Agronegócio representa pelo menos 35% do crescimento
O agro ganhou participação importante nessa trajetória. A Ghia mantém relacionamento com famílias ligadas a revendas de máquinas agrícolas e insumos, além de produtores de sementes e empresários de outros segmentos da cadeia.
Atualmente, a companhia atende, em média, famílias com liquidez superior a R$ 10 milhões.
No agronegócio, porém, existe uma diferença importante entre patrimônio e dinheiro disponível para investimentos. A valorização das propriedades rurais faz com que grande parte da riqueza dessas famílias esteja concentrada em terras.
Segundo Cestari, há clientes com cerca de R$ 10 milhões em liquidez e R$ 150 milhões em terras.
O cenário mais difícil enfrentado pelo agronegócio nos últimos períodos também tem contribuído para aumentar a demanda pelo multifamily office. Produtores passaram a buscar não apenas administração de recursos financeiros, mas também soluções tributárias e planejamento da sucessão familiar.
Ghia Asset deve responder por R$ 2 bilhões
A estratégia para chegar aos R$ 10 bilhões inclui uma aceleração da Ghia Asset Management, criada em 2020, durante a pandemia.
Dos R$ 10 bilhões que a companhia pretende administrar até 2030, pelo menos R$ 2 bilhões devem vir da gestora.
A Ghia Asset possui atualmente cerca de R$ 1,2 bilhão sob gestão. Desse total, R$ 700 milhões estão em fundos exclusivos e outros R$ 520 milhões em fundos de crédito estruturado.
Luiz Fernando Prado, sócio responsável pela estruturação de operações da Ghia Asset Management, explicou ao The AgriBiz que a companhia percebeu uma oportunidade a partir dos próprios clientes pessoas físicas.
Isso porque muitas das famílias atendidas também controlam empresas, fazendo com que patrimônio pessoal e empresarial estejam constantemente relacionados.
A gestora pretende, assim, ampliar a administração dos recursos dessas famílias empresárias, principalmente nos setores imobiliário e do agronegócio.
Crédito estruturado pode chegar a R$ 2 bilhões em 2028
Uma das principais apostas da Ghia Asset está nos fundos de crédito estruturado.
A meta é fazer essa vertical saltar dos atuais R$ 520 milhões para R$ 2 bilhões até 2028. A expectativa é que aproximadamente 40% desse patrimônio esteja relacionado ao agronegócio.
A experiência da gestora nesse mercado inclui um fundo de crédito estruturado em parceria com a Nagro. Nos últimos anos, a Ghia passou a concentrar esforços também em FIDCs monocedente, estruturas que podem ser utilizadas para antecipação de recebíveis de uma empresa.
Nesse modelo, as operações estruturadas pela gestora buscam um volume mínimo de aproximadamente R$ 25 milhões.
Cassiel Feres, gestor de fundos da Ghia Asset, explicou ao The AgriBiz que o tamanho da estrutura precisa ser compatível com os recebíveis envolvidos. No caso de uma revenda de fertilizantes, por exemplo, uma única compra pode alcançar R$ 1,5 milhão. Um fundo muito pequeno diante desses valores acabaria apresentando concentração excessiva.
Relacionamento regional é usado para encontrar clientes
A busca por empresas interessadas nesse tipo de financiamento também passa pela rede de relacionamentos construída pela Ghia e por seus executivos no interior.
Um dos exemplos é o próprio Luiz Fernando Prado. Ele é filho de Marcelo Prado, fundador da MPrado, consultoria especializada em gestão para o agronegócio que atua na região há mais de 24 anos.
Essa proximidade com famílias empresárias é vista como um diferencial para identificar companhias que possam demandar fundos estruturados e outras soluções financeiras.
Para atingir os R$ 2 bilhões projetados para a vertical de crédito, a Ghia Asset pretende combinar o crescimento dos fundos já existentes com o lançamento de novos produtos.
Pelo menos dois novos fundos estão atualmente em estruturação.
Gestão do caixa de empresas é outra frente
A expansão da asset não ficará restrita aos fundos. A Ghia também pretende ampliar a prestação de serviços de gestão do caixa de empresas, incluindo negócios ligados ao agronegócio.
A proposta é participar desde a elaboração da política de investimentos até a execução da estratégia financeira, incluindo a administração das reservas de liquidez e dos recursos destinados a investimentos, o chamado capex.
Luiz Fernando Prado explicou que algumas empresas possuem políticas de investimento bem estruturadas, mas deixam a execução sob responsabilidade da própria tesouraria. O problema, segundo ele, é que essas equipes nem sempre possuem estrutura para realizar uma análise aprofundada das alternativas disponíveis para os recursos líquidos.
A combinação dessas diferentes frentes é a aposta da Ghia para sustentar o próximo ciclo de expansão. O negócio que começou em Uberlândia administrando o patrimônio de uma família hoje supera R$ 5 bilhões sob gestão e busca chegar ao fim da década com R$ 10 bilhões, mantendo o agronegócio e as famílias empresárias do interior como parte central da estratégia.
Fonte: The AgriBiz

