Com financiamento de R$ 618 milhões, Grupo Aroeira construirá usina de etanol de cereais em Tupaciguara

Nova planta será implantada dentro do complexo industrial já existente do grupo no Triângulo Mineiro e começará a operar em 2028.

Eloi Naves
Complexo Aroeira em Tupaciguara-MG
Nova planta industrial deverá entrar em operação em 2028Foto: Aroeira

O complexo industrial do Grupo Aroeira, instalado em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, será ampliado com a construção de uma nova planta de produção de etanol de cereais. O investimento será viabilizado após a aprovação de um financiamento de R$ 618 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O montante aprovado está dividido da seguinte forma:

R$ 310 milhões do Fundo Clima, destinado a projetos voltados à mitigação das mudanças climáticas;

R$ 105,5 milhões da linha BNDES Finem, voltada a investimentos de longo prazo;

R$ 202,5 milhões da linha BNDES Máquinas e Serviços, destinada à aquisição de equipamentos e sistemas industriais para a nova unidade.

Segundo o BNDES, a estrutura financeira também contempla recursos complementares para capital de giro durante a implantação do empreendimento e o início das operações.

Unidade entra em operação em 2028

A nova planta será operada pela Biomil Etanol Ltda., empresa atualmente em fase pré-operacional, e passará a integrar o complexo industrial do Grupo Aroeira em Tupaciguara. O início das operações está previsto para 2028.

Inicialmente, a unidade terá capacidade para processar 330 mil toneladas de cereais por ano, entre milho e sorgo, produzindo 146 milhões de litros de etanol anualmente.

Além do biocombustível, a planta deverá produzir cerca de 92 mil toneladas por ano de DDGS (Distiller’s Dried Grains with Solubles), coproduto utilizado na alimentação animal, principalmente na pecuária de corte e leiteira. De acordo com o BNDES, a produção também deverá fortalecer a cadeia regional de grãos e proteína animal.

“O BNDES está comprometido com a indústria de biocombustíveis, que tem papel fundamental para intensificar o processo de descarbonização da matriz energética e do transporte no País. Esse projeto fortalece cadeias produtivas estratégicas para a transição energética, ao mesmo tempo em que impulsiona a geração de empregos e a inovação tecnológica, em linha com a Nova Indústria Brasil”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O diretor-presidente do Grupo Aroeira, Gabriel Feres Junqueira, destacou que o Triângulo Mineiro reúne condições favoráveis para ampliar a produção de etanol a partir de cereais, especialmente milho e sorgo.

“A Biomil foi concebida para agregar valor a essa produção, ampliar a diversificação das matérias-primas do Grupo Aroeira e fortalecer a complementaridade entre nossos diferentes negócios. O projeto também permitirá a manutenção da produção de etanol durante a entressafra da cana, além de impulsionar o desenvolvimento das cadeias de grãos, proteína animal e biocombustíveis no Triângulo Mineiro”, afirmou.

Complexo já produz etanol, açúcar e energia

O complexo do Grupo Aroeira em Tupaciguara iniciou suas operações em 2011 com a produção de etanol hidratado. Posteriormente, passou a fabricar etanol anidro, exportar energia elétrica e, em 2017, incorporou a produção de açúcar, consolidando sua estratégia de diversificação no setor bioenergético.

Atualmente, a Bioenergética Aroeira possui capacidade instalada para processar 4,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. A unidade também produz diariamente cerca de 800 metros cúbicos de etanol e 50 mil sacas de açúcar, além de gerar energia elétrica a partir do bagaço da cana.

O grupo ainda atua por meio da Central Energética Tupaciguara e da Triângulo Energia, ampliando sua presença no setor elétrico. Além disso, mantém projetos voltados ao aproveitamento da vinhaça e da torta de filtro para a produção de biometano e fertilizantes, reforçando a estratégia de economia circular e agregação de valor aos resíduos gerados na cadeia sucroenergética.

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