À medida que se aproxima o pleito presidencial de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma série de medidas econômicas e sociais que podem injetar cerca de R$ 80 bilhões fora da meta fiscal oficial, com objetivo declarado de dinamizar a economia e reforçar laços eleitorais com diferentes segmentos da população.
Segundo análise da Instituição Fiscal Independente (IFI), parte importante do pacote de medidas previstas para o próximo ano está estruturada de forma que não entre no cálculo tradicional da meta fiscal de 2026 – mecanismo usado para monitorar o equilíbrio das contas públicas. Ao excluir esses gastos do déficit primário, o governo amplia sua margem de manobra para atuação, mantendo ao mesmo tempo a aparência de disciplina fiscal.
Estratégia em ano eleitoral
O método de lançar despesas fora da meta não é novidade na política brasileira, especialmente em anos eleitorais. Governos em busca da reeleição frequentemente utilizam dispositivos orçamentários e instrumentos de crédito para ampliar programas sociais, benefícios e investimentos em setores estratégicos, com potencial de melhorar a avaliação popular da gestão.
No pacote de medidas para 2026 – ano em que Lula pretende disputar um quarto mandato presidencial – estão previstos programas como:
- Subsídios e linhas de crédito para habitação;
- Ampliação de benefícios sociais;
- Expansão de programas de desoneração tributária voltados para a população de baixa renda.
Essas ações, embora impactem o gasto público, serão classificadas como “extra-orçamentárias” no cálculo fiscal, o que permite ao governo manter a meta de superávit primário prevista no arcabouço fiscal.
Impacto nas contas públicas e na dívida
O efeito colateral dessa estratégia é o aumento da dívida pública: os recursos excluídos da meta fiscal ainda representam compromissos financeiros que serão amortizados pelo Tesouro, elevando o estoque de dívida como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Estimativas apontam que a dívida pública bruta pode chegar a cerca de 82,5% do PIB em 2026 se consideradas todas as medidas e seus reflexos.
Domínio institucional e articulação política
Especialistas observam que o PT, liderando o governo federal, tem mostrado habilidade em negociar com o Congresso e ajustar instrumentos legais para viabilizar sua agenda econômica mesmo sob restrições fiscais. Isso inclui a criação de exceções na meta fiscal e o uso de mecanismos contábeis que ampliam a capacidade de intervenção do Estado sem romper formalmente as regras de controle.
Efeitos no ambiente eleitoral
Além do impacto direto nas contas públicas, a estratégia reforça uma percepção política: a utilização articulada da máquina do Estado para intensificar programas sociais e econômicos em ano de eleição. Historicamente, ações desse tipo tendem a gerar repercussão entre eleitores, sobretudo em setores mais vulneráveis ou em busca de crédito e serviços do governo.
Em síntese, a estratégia fiscal do governo Lula para 2026 – ampliada por decisões que “tiram” gastos da meta oficial – mostra como o PT combina gestão pública e cálculo político em um ano eleitoral, explorando instrumentos de política econômica para reforçar sua base de apoio antes da corrida presidencial.
