A mineradora australiana St. George Mining vai acelerar a extração de terras-raras em seu projeto em Araxá (MG), no Alto Paranaíba. Isso ocorre diante das mudanças no cenário global de comércio de minerais estratégicos. O foco da companhia sempre foi a produção de nióbio. No entanto, os elementos de terras-raras (ETRs) ganharam protagonismo. Agora eles devem compor a maior parte da produção prevista.
Investimentos
A empresa projeta investimento de R$ 2 bilhões para iniciar a construção da planta industrial em 2026 e começar a operar em 2027. A capacidade estimada é de até 20 mil toneladas anuais, sendo 5 mil de nióbio e 15 mil de ETRs.
Segundo Thiago Amaral, diretor da St. George no Brasil, a empresa tratava as terras-raras como uma possibilidade secundária. “Estávamos muito focados no nióbio. Mas, com o cenário atual, estamos acelerando a busca por tecnologias que tornem viável a implantação da etapa de terras-raras”, disse.
A mudança de estratégia ocorre após a China restringir, no mês passado, a exportação de minerais críticos para os Estados Unidos. Essa medida intensifica a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo.
O CEO da mineradora, John Prineas, afirmou que a conjuntura abre espaço para o reposicionamento estratégico do Brasil no mercado global de minerais. “Temos sorte de atuar com duas commodities com forte demanda internacional: nióbio e terras-raras”, disse.
O executivo destacou que o foco segue no desenvolvimento do Projeto Araxá. Contudo, a empresa está aberta a novas oportunidades no Brasil, especialmente em Minas Gerais. Segundo ele, o projeto enfrentou desconfiança inicial por ser o primeiro da St. George fora da Austrália. No entanto, essa barreira já foi superada.
Reservas
Os dados de reservas, validados segundo a metodologia internacional JORC, indicam cerca de 700 mil toneladas de óxido de nióbio. Além disso, há 8,7 milhões de toneladas de óxidos de terras-raras na área de concessão de 226 hectares. A área pertencia anteriormente à americana Itafos Inc.
Após a divulgação dos dados, a empresa passou a ser procurada por siderúrgicas e montadoras de vários países, interessadas na futura produção.
A St. George já fechou acordos não vinculativos com duas companhias chinesas para a venda de cerca de 40% da produção. Um dos acordos é com o grupo Liaoning Fangda, que atua em setores como siderurgia. O outro é com a trading SKI HongKong, especializada em metais como nióbio, manganês e cromo.
A empresa pretende comercializar até 100% da produção antes do início das operações. A empresa usará a venda antecipada como instrumento de captação de recursos para a construção da planta. “Ainda não temos contratos definitivos, mas acredito que teremos bons resultados em breve”, disse Prineas.
