O setor imobiliário, considerado um dos principais motores da economia de Uberlândia, intensificou a cobrança por taxas de juros mais baixas e por maior padronização regulatória no país. O tema foi destaque na 2ª edição do Encontro de Incorporadores do Estado de Minas Gerais (INC Minas), promovido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em Belo Horizonte.
A demanda ganha peso especialmente no Triângulo Mineiro, onde Uberlândia exerce forte influência regional e mantém um dos mercados mais dinâmicos do estado. O presidente da Abrainc, Luiz França, explicou que a alta dos juros tem impacto direto na capacidade das famílias de acessar financiamentos e adquirir imóveis.
“A cada 1% de juros reduzido das taxas de financiamento, 200 mil famílias são inseridas no mercado imobiliário. Taxa de juros alta é sinal de menos compradores no mercado. Nossos clientes são, em sua maioria, dependentes de financiamento, e a redução das taxas beneficia muito”, afirmou França.
Segundo ele, a expectativa para 2026 inclui juros mais acessíveis, a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida com a Faixa 4, destinada à classe média, e novas regras de uso do FGTS, que permitem operações de até R$ 2,25 milhões. “A inserção da classe média nos programas de financiamento foi uma grande conquista que nós tivemos este ano”, destacou.
Déficit habitacional mantém demanda aquecida
No Triângulo Mineiro, o déficit habitacional segue como um dos fatores que impulsionam a procura por imóveis, principalmente os financiados. A Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida agora permite que famílias com renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil adquiram imóveis de até R$ 500 mil com condições mais favoráveis.
Para o presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá, a redução dos juros é indispensável para destravar o setor como um todo.
“Não é só o setor da construção civil, mas toda a economia depende de taxas de juros mais baixas”, afirmou. Para ele, a demanda existe — sustentada pelo déficit habitacional —, mas a oferta enfrenta entraves provocados pelo alto custo do crédito e pela instabilidade econômica.
Visão do mercado local: impacto direto em Uberlândia
Em Uberlândia, onde o mercado imobiliário segue aquecido e atrai novos empreendimentos residenciais e comerciais, a queda das taxas de juros tem efeito imediato. De acordo com Gabriel Salgado, sócio-proprietário da imobiliária PRADA, a redução do custo do crédito amplia tanto o poder de compra quanto a atratividade do mercado para investidores.
“A redução da taxa de juros ajuda as vendas ao tornar o financiamento mais barato, diminuindo as parcelas e aumentando o poder de compra. Também torna o setor imobiliário mais interessante em comparação com a renda fixa, que perde rentabilidade com juros baixos. Isso aumenta a demanda e pode levar à valorização dos preços”, explica Salgado.
Benefícios para o comprador
- Parcelas menores: juros mais baixos reduzem o custo total do financiamento.
- Maior poder de compra: o mesmo orçamento mensal permite adquirir imóveis mais valorizados.
- Mais opções no mercado: o aumento de demanda e oferta amplia alternativas para quem busca comprar.
Benefícios para o vendedor
- Maior procura: mais compradores ativos elevam as chances de venda.
- Possível valorização dos preços: demanda crescente pressiona os valores para cima, sobretudo em áreas disputadas de Uberlândia.
- Entrada de novos investidores: com a renda fixa menos atraente, investidores migram para o setor imobiliário, impulsionando ainda mais o mercado.

Perspectivas
Com a expectativa de juros mais baixos, mudanças no Minha Casa, Minha Vida e flexibilização do uso do FGTS, o setor prevê que 2026 será um ano decisivo para a expansão imobiliária de Uberlândia. A cidade tende a consolidar ainda mais sua posição como um dos polos imobiliários mais relevantes do país, sustentada por demanda sólida, crescimento urbano e maior entrada de investidores.
