A Oncoclínicas, uma das maiores redes privadas de tratamento oncológico do Brasil e ex-gestora do Uberlândia Medical Center (UMC), protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. A companhia informou que o processo já conta com a adesão inicial de credores que representam aproximadamente 37% dos créditos abrangidos e que a medida não afetará o atendimento aos pacientes nem os pagamentos correntes a fornecedores.
A notícia chama a atenção em Uberlândia porque a empresa teve participação na gestão do UMC por meio da UMC Participações. Posteriormente, o grupo deixou a administração do complexo hospitalar, que passou por mudanças em sua estrutura societária.
Segundo a Oncoclínicas, a recuperação extrajudicial tem como objetivo criar um ambiente jurídico para renegociar o passivo financeiro, preservando a continuidade das operações. A empresa destacou que os serviços assistenciais continuarão funcionando normalmente e que as obrigações operacionais consideradas essenciais seguirão sendo pagas dentro dos prazos previstos.
Plano prevê reestruturação financeira
Entre as medidas previstas pela companhia estão a possibilidade de novos aportes de capital pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em participação societária, emissão de novos títulos e alongamento do cronograma de pagamento das obrigações financeiras. O pedido ainda deverá ser homologado pela Justiça após atingir o quórum mínimo exigido pela legislação.
A recuperação extrajudicial é diferente da recuperação judicial porque permite que a negociação seja feita diretamente entre a empresa e seus credores, com menor intervenção do Judiciário.
Crise se intensificou após expansão
A deterioração financeira da Oncoclínicas ocorre após um período de forte expansão iniciado com o IPO realizado em 2021. A estratégia de aquisições elevou o endividamento da companhia justamente em um cenário posterior de alta dos juros, aumentando significativamente o custo financeiro.
Além disso, a empresa enfrentou problemas de liquidez nos últimos anos, agravados por dificuldades de importantes fontes pagadoras do setor de saúde e por perdas financeiras relacionadas ao Banco Master, fatores que pressionaram seu caixa e elevaram a alavancagem.
Mesmo antes do protocolo do pedido, a companhia já vinha negociando alternativas com os credores e chegou a obter proteção cautelar da Justiça para suspender temporariamente cobranças enquanto buscava uma solução para a reestruturação financeira.

