O Pix completou 5 anos em novembro e segue acumulando marca histórica após marca histórica. Somente em outubro, o sistema criado pelo Banco Central movimentou mais de R$ 3,3 trilhões, consolidando-se como o meio de pagamento mais usado do país.
Mesmo assim, um dado chama atenção: a tradicional TED ainda movimentou mais dinheiro, com quase R$ 4 trilhões no mesmo mês — apesar de ter muito menos operações que o Pix.
A explicação passa por fatores estruturais do mercado financeiro e pelo comportamento das empresas:
1. Para empresas, a TED ainda costuma ser mais barata
Pessoas físicas não pagam para usar o Pix, mas empresas podem pagar tarifas dependendo da política de cada banco. Em muitos casos, a tarifa da TED para pessoas jurídicas é menor que a do Pix, o que faz com que grandes valores continuem sendo transferidos pela modalidade mais antiga.
2. Percepção de segurança e protocolos corporativos
Mesmo com o Pix sendo seguro e instantâneo, muitas grandes empresas mantêm protocolos internos, auditorias e sistemas de compliance baseados na TED, uma tecnologia consolidada há mais de 20 anos.
Por isso, operações milionárias ou pagamentos sensíveis ainda são realizados por TED.
3. O “delay” da TED faz parte do fluxo de caixa corporativo
Ao contrário do Pix — que compensa em segundos — a TED tem um intervalo natural entre o envio e o crédito, dentro das janelas de liquidação.
Para empresas, esse delay funciona como um mecanismo de controle financeiro, permitindo conferir valores, organizar pagamentos em lote e seguir rotinas administrativas.
Expectativa para novembro e dezembro: Pix deve disparar
Apesar da TED seguir à frente em valor movimentado, o mercado projeta que novembro e dezembro devem ser meses de explosão do Pix.
A Black Friday, tradicionalmente o período de maior volume de transações do ano, já provoca picos no uso do sistema entre consumidores e lojistas. Em dezembro, o efeito se repete — e se intensifica — com o pagamento do 13º salário e as compras de Natal.
Segundo analistas citados na própria matéria comemorativa dos 5 anos do sistema, o Pix tende a movimentar muito mais dinheiro nos últimos dois meses de 2025, superando inclusive vários de seus próprios recordes.
2025 pode registrar um “volume monstruoso” no acumulado anual
A perspectiva para 2025 é ainda mais agressiva. Com a expansão contínua do comércio eletrônico, a digitalização de pequenos negócios e o avanço do Pix Automático, o Banco Central e especialistas do setor financeiro estimam que o Pix pode chegar a um volume “monstruoso” no acumulado do ano — superior a tudo que já foi registrado desde o lançamento da ferramenta.
O sistema já ultrapassou fronteiras do varejo e entrou definitivamente nos segmentos de serviços, contas recorrentes, pagamentos empresariais e até operações de crédito. A tendência, segundo o mercado, é que o Pix consolide não apenas o maior número de transações, mas também se aproxime (ou até se iguale) ao volume financeiro das TEDs.


