A Prudential está avaliando a venda de sua operação no Brasil e já iniciou a busca por um comprador em uma negociação que pode chegar a US$ 3 bilhões. A informação foi revelada pela Exame INSIGHT. O processo ainda está em estágio inicial e é conduzido pelo banco de investimentos Morgan Stanley.
A seguradora atua no mercado brasileiro há quase 30 anos e encerrou 2025 com R$ 7,5 bilhões em prêmios emitidos, além de registrar lucro líquido recorde de R$ 1,2 bilhão. Apesar da pedida de aproximadamente US$ 3 bilhões, fontes do mercado avaliam que o ativo possa valer cerca de US$ 2 bilhões, o que pode tornar as negociações mais desafiadoras.
Entre os potenciais interessados estariam grandes grupos globais do setor, como Generali, CNP, Zurich, Swiss Re, Chubb, AXA, HDI, Tokio Marine e AIG, embora não haja confirmação de propostas ou negociações avançadas.
Estratégia global
Segundo a publicação, a eventual venda faz parte de um movimento da matriz para direcionar capital a mercados considerados prioritários pela companhia.
Até o momento, nem a Prudential nem o Morgan Stanley comentaram oficialmente o processo de venda.
Modelo de negócios diferenciado
Ao longo de sua atuação no Brasil, a Prudential concentrou suas operações principalmente no segmento de seguros de pessoas, especialmente no seguro de vida individual.
Diferentemente de boa parte das seguradoras, a empresa estruturou sua distribuição por meio de uma ampla rede própria de consultores financeiros, franquias e representantes comerciais, reduzindo a dependência dos corretores tradicionais.
Nos últimos anos, entretanto, a companhia ampliou sua estratégia comercial ao fechar parcerias com bancos, plataformas digitais — como o Mercado Pago — e canais corporativos, além de expandir seu portfólio de produtos.
Mercado segue em expansão
A possível saída da Prudential ocorre em um momento de crescimento do mercado brasileiro de seguros.
De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o setor deverá movimentar cerca de R$ 808 bilhões em 2026, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. Apenas o segmento de seguros de vida registrou crescimento de 10,7% até abril.
Apesar da expansão, a participação do mercado segurador brasileiro ainda representa cerca de 5,8% do PIB, abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde o índice chega a 6,2%, enquanto economias como Estados Unidos, Reino Unido e França superam os 10% do PIB.

