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Regionalzão – Maior portal do interior de Minas > Notícias > Agro > Raio X do agro no Triângulo Mineiro mostra diferenças entre as regiões de Uberlândia e Uberaba
Agro

Raio X do agro no Triângulo Mineiro mostra diferenças entre as regiões de Uberlândia e Uberaba

Dados do Incra mostram diferenças de valor da terra, perfil produtivo e vocação econômica entre as regiões de Uberlândia e Uberaba

Eloi Naves
Por
Eloi Naves
Publicado 7 de janeiro de 2026, 6:00
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A agropecuária do Triângulo Mineiro apresenta dois grandes eixos produtivos bem definidos, segundo o Atlas do Mercado de Terras 2025, elaborado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). De um lado, a região de Uberlândia, marcada por forte presença da agricultura de grãos e integração com pastagens. De outro, a região de Uberaba, onde a cana-de-açúcar, a pecuária estruturada e a diversificação agrícola elevam o valor da terra e a intensidade produtiva.

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Os dados analisam o Valor da Terra Nua (VTN) e o Valor da Terra com Investimentos (VTI) por hectare, além das tipologias predominantes em cada mercado regional de terras (MRT).

Região de Uberlândia: grãos, integração produtiva e terra mais acessível

O MRT MG-603 – Uberlândia abrange municípios como Uberlândia, Ituiutaba, Araguari, Monte Alegre de Minas, Prata, Tupaciguara, Capinópolis e Canápolis. O levantamento aponta um perfil agropecuário voltado à produção de grãos, pecuária extensiva e sistemas mistos.

Na tipologia agrícola – grãos soja, o VTN médio chega a R$ 85,2 mil por hectare, enquanto o VTI atinge R$ 88,2 mil, indicando áreas produtivas consolidadas, mas ainda com espaço para valorização por investimento tecnológico.

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Já na pecuária com pastagem formada, o valor é mais baixo: R$ 38,7 mil por hectare, refletindo um modelo ainda bastante extensivo em parte da região. Os sistemas de exploração mista (agricultura + pastagem) aparecem como alternativa econômica relevante, com VTN médio de R$ 46,8 mil.

O dado que chama atenção é o valor geral da terra, que no mercado de Uberlândia gira em torno de R$ 46,6 mil por hectare, o que mantém a região atrativa para expansão produtiva, arrendamentos e projetos de integração lavoura-pecuária.

Região de Uberaba: cana, pecuária estruturada e terra mais valorizada

No MRT MG-604 – Uberaba, que inclui municípios como Uberaba, Campo Florido, Conceição das Alagoas, Frutal, Itapagipe, Carneirinho, Veríssimo e Água Comprida, o perfil agropecuário é mais intensivo e capitalizado.

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A agricultura voltada à cana-de-açúcar apresenta VTN médio de R$ 58,5 mil por hectare, enquanto o VTI chega a R$ 71,1 mil, mostrando o peso dos investimentos em preparo de solo, logística e contratos industriais.

Na produção de grãos diversificados, o VTN alcança R$ 93,7 mil, um dos maiores do Triângulo Mineiro, reflexo direto da alta produtividade, infraestrutura logística e proximidade com usinas, indústrias e mercados consumidores.

A pecuária bovina com pastagem formada também aparece mais valorizada que na região de Uberlândia, com VTN acima de R$ 51 mil por hectare, indicando sistemas mais tecnificados e maior intensidade produtiva.

O valor geral da terra em Uberaba supera R$ 69 mil por hectare, evidenciando um mercado mais maduro, com menor oferta de áreas baratas e maior disputa por terras agrícolas.

Dois Triângulos dentro do Triângulo

Os números do Incra deixam claro que o Triângulo Mineiro abriga dois modelos agropecuários complementares. Enquanto a região de Uberlândia se destaca pela escala, diversidade e custo competitivo da terra, a região de Uberaba concentra produção mais intensiva, maior capitalização e forte ligação com a agroindústria, especialmente sucroenergética.

Essa diferença explica não apenas a variação de preços, mas também a estratégia dos produtores, o perfil dos investimentos e o papel de cada região na cadeia agroindustrial de Minas Gerais.

Importância econômica regional

A agropecuária segue como um dos principais motores econômicos do Triângulo Mineiro, sendo responsável por geração de emprego, renda, arrecadação e atração de investimentos. Em ambas as regiões, o setor sustenta cidades médias e pequenas, impulsiona o comércio local e dá base para cadeias industriais estratégicas, como alimentos, etanol, logística e biotecnologia.

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