O Brasil registrou uma redução significativa no Índice de Miséria em 2025, medido pela soma das taxas de desemprego e de inflação. Segundo estudo divulgado pelo departamento econômico do Banco Santander Brasil, o índice encerrou o ano em 10%, menor nível desde 2013, início da série analisada pela instituição.
De acordo com os economistas responsáveis pela pesquisa — Rodolfo Pavan, Henrique Danyi e Ítalo Franca —, a queda do indicador reflete principalmente o recuperação do emprego e a descompressão inflacionária observada no país nos últimos anos. Em 2024, o índice estava em torno de 12%, e em 2023 chegava próximo de 13%.
O chamado Índice de Miséria, metodologia inspirada pelo economista norte-americano Arthur Okun, é usado como uma medida sintética das condições econômicas mais sentidas pelas famílias, pois combina o peso do desemprego com o da inflação, fatores que afetam diretamente o poder de compra e o bem-estar da população.
Desempenho nas regiões metropolitanas
O levantamento detalha variações regionais no país. No Sudeste, por exemplo, Vitória foi a cidade que apresentou maior recuo no índice, caindo de 11% em 2012 para menos de 7% em 2025. São Paulo e Belo Horizonte também registraram queda, ficando em 9,9% e 8,3%, respectivamente. Já o Rio de Janeiro registrou alta no indicador no mesmo período.
Nas regiões Norte e Nordeste, todas as capitais analisadas apresentaram índices abaixo ou próximos aos níveis de 2012. Belém destacou-se com o melhor desempenho, reduzindo o índice de 15,6% para 11,2%. Salvador e Recife também mostraram recuos, mas mantiveram níveis acima da média nacional.
Projeções para 2026
Para os economistas do banco, a tendência de queda deve continuar em 2026, com o Índice de Miséria podendo atingir cerca de 9% no segundo trimestre, o menor nível da série histórica, antes de uma leve retomada para cerca de 10% no fim do ano. Essa perspectiva está ligada à manutenção de uma inflação contida e um mercado de trabalho aquecido, cenário que tende a sustentar a capacidade de consumo das famílias.
O estudo ressalta que, embora o Índice de Miséria não seja uma medida completa de bem-estar social, ele serve como um indicador útil para comparar situações econômicas ao longo do tempo e entre diferentes regiões do país.
