Trabalho em casa é três vezes mais comum entre mulheres em Minas Gerais

Dados da PNAD Contínua mostram que 13,2% das trabalhadoras mineiras atuam na própria residência, enquanto a fatia masculina chega a apenas 4,4%

Sirley de Araújo
Foto: Divulgação

O exercício da profissão dentro da própria residência registrou uma presença feminina expressivamente superior à masculina no estado. Em 2025, cerca de 13,2% das mulheres empregadas no setor privado mineiro exerciam suas funções no próprio domicílio. Por outro lado, apenas 4,4% dos homens ocupavam a mesma posição de trabalho. Dessa forma, a proporção feminina foi o triplo da registrada entre o público masculino.

Os dados fazem parte da pesquisa PNAD Contínua – Características adicionais do mercado de trabalho 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, o setor privado em Minas Gerais concentrou 9,0 milhões de trabalhadores, desconsiderando a categoria de serviços domésticos.

No cenário geral, o trabalho remoto ou domiciliar voltou a ganhar fôlego no território mineiro. Em 2022, o índice atingiu o pico da série com 8,1%. Logo depois, o percentual recuou para 6,9% em 2024. No entanto, o indicador voltou a subir em 2025 e alcançou a marca de 7,7% da população ocupada no setor privado.

Locais de trabalho revelam forte divisão por gênero

Além da preferência pelo domicílio, a pesquisa apontou fortes contrastes na distribuição física das ocupações profissionais. A maioria das mulheres do setor privado (70,9%) atuava em estabelecimentos do próprio empreendimento em Minas Gerais. Em contrapartida, esse índice caiu para 47,0% entre a força de trabalho masculina.

Em contraste com esse cenário, os homens lideraram as funções exercidas externamente ou em campo. Por exemplo, 21,4% dos trabalhadores masculinos desempenhavam funções em locais indicados por empregadores ou clientes, enquanto apenas 4,8% das mulheres estavam nessa modalidade. Da mesma forma, as atividades em veículos automotores englobaram 8,4% dos homens, contra somente 0,9% do contingente feminino.

Além disso, o meio rural reforçou essa diferença de ocupação no estado. Cerca de 15,5% dos homens exerciam suas atividades em fazendas, sítios, granjas ou chácaras em 2025. Entre as mulheres, esse número ficou limitado a 6,9%.

Participação feminina atinge recorde histórico no estado

O avanço do trabalho em casa coincide com o crescimento contínuo da presença feminina no mercado de trabalho mineiro. Em 2025, a proporção de mulheres no contingente de pessoas ocupadas atingiu o maior patamar de toda a série histórica, com 43,6%. Em números absolutos, o estado somou 4,79 milhões de trabalhadoras, em um universo total de 10,99 milhões de ocupados.

Nesse contexto, as mulheres também demonstraram maior nível de regularização nos negócios próprios. Entre as empregadoras e trabalhadoras por conta própria em Minas Gerais, 41,4% estavam vinculadas a negócios com CNPJ ativo. Os homens, por sua vez, registraram uma taxa de formalização inferior, com 36,3%.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o segmento de pessoas que atuam por conta própria ou como empregadores também avançou. Esse grupo totalizou 803 mil trabalhadores em 2025, o que representou um aumento de cerca de 41 mil pessoas em relação a 2024.

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