A Prefeitura de Uberaba oficializou nesta segunda-feira (26) o descredenciamento do Banco Master para a operação de empréstimos consignados e cartões de crédito descontados em folha de pagamento dos servidores municipais.
A decisão, publicada no diário oficial do município ocorre na esteira da liquidação extrajudicial da instituição financeira decretada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025 e do avanço das investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes e desvios de recursos.
Segundo a administração municipal, o rompimento do contrato é o desfecho de um procedimento administrativo aberto em 19 de novembro do ano passado, apenas um dia após o BC intervir na instituição.
O Banco Master havia sido credenciado pelo município em agosto de 2025, com um contrato previsto para durar 12 meses. Pelo acordo, a instituição pagaria à prefeitura uma contrapartida de 1% sobre os valores descontados na folha dos servidores.
Em nota, a Secretaria de Administração de Uberaba informou que, referente a este credenciamento mais recente (de agosto de 2025), “não houve contratações por parte dos servidores, não existindo contratos ativos no momento do descredenciamento”.
No entanto, a situação é mais complexa para funcionários públicos que possuem empréstimos antigos com o banco. Segundo o Executivo, esses contratos são remanescentes de um Acordo de Cooperação anterior, cuja vigência vai até 31 de dezembro de 2025.
A Procuradoria-Geral do Município (Proger) está analisando juridicamente a manutenção ou suspensão dos descontos em folha referentes a esses contratos antigos. A Proger solicitou um relatório detalhado da prestação dos serviços antes de emitir um parecer conclusivo.
Antes mesmo da liquidação, o município já registrava queixas pontuais de servidores sobre dificuldades no atendimento prestado pelo banco.
Em janeiro, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da operação, cumprindo 42 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A justiça determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
As investigações, parte das quais tramitam sob sigilo no STF, miram não apenas a estrutura do banco, mas também familiares do controlador da instituição, o banqueiro Daniel Vorcaro, e outros agentes do mercado financeiro.

