O município de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, deu um passo decisivo para se consolidar como um hub tecnológico no interior do país. Nesta segunda-feira (23), o prefeito Paulo Sérgio e o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flávio Roscoe, apresentaram o status do projeto de instalação do primeiro data center focado em Inteligência Artificial (IA) da região Sudeste.
O empreendimento, capitaneado pela multinacional norte-americana RT-One, entrará agora na fase final de licenciamento municipal com a análise do projeto arquitetônico, entregue na última sexta (20). A estrutura será erguida na região oeste da cidade, às margens da MGC-497.
O projeto prevê uma robustez energética incomum para padrões regionais. Na primeira fase, a capacidade instalada será de 100 MW, com projeção de expansão para até 400 MW. Para viabilizar a operação, a RT-One negocia o fornecimento diretamente com a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).
A empresa afirma que o campus operará com 100% de energia renovável e utilizará sistemas de refrigeração de alta eficiência para mitigar o impacto ambiental.
Um dos pontos centrais da apresentação em Belo Horizonte foi a desmistificação do consumo de recursos naturais. Segundo parecer do Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgoto), a demanda de água potável solicitada é de 2,77 litros por segundo.
Em termos comparativos, o volume diário (cerca de 239 mil litros) é inferior ao consumo de um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida.
Essa demanda não trará impacto na produção de água tratada da cidade. Para uma empresa desse porte, ela não figuraria sequer entre as dez maiores consumidoras locais”, informou a autarquia em nota, citando a capacidade excedente da recém-inaugurada estação Capim Branco.
Como o terreno está localizado em zona rural, o cronograma depende agora de duas frentes:
- Municipal: Aprovação do projeto arquitetônico pela Secretaria de Planejamento Urbano.
- Estadual: Obtenção de licenças ambientais junto à Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável).
A infraestrutura foi projetada para suportar cargas de trabalho de alta performance, segurança cibernética e a chamada nuvem soberana, atendendo à crescente demanda por processamento de dados para IA no Brasil.

