O município de Uberlândia formalizou, em Brasília, um investimento de R$ 98 milhões para a criação de um Centro de Operações Urbanas (COU) focado em inteligência artificial e resiliência climática. A iniciativa será viabilizada por meio de um financiamento de R$ 88,2 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O projeto coloca a cidade mineira, de 646 mil habitantes, na esteira de capitais como o Rio de Janeiro, ao integrar em uma única central de monitoramento 24 horas dados de segurança pública, mobilidade, defesa civil e meteorologia.
A assinatura do contrato contou com a presença do prefeito Paulo Sérgio Ferreira e do diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa. Segundo a prefeitura, o objetivo central é reduzir o tempo de resposta a incidentes e antecipar riscos de desastres ambientais, como alagamentos e chuvas intensas.
O novo centro contará com uma infraestrutura de 720 câmeras de videomonitoramento e sensores hidrológicos. O diferencial tecnológico, no entanto, reside no uso de:
- Inteligência Artificial: Para análise preditiva de padrões de tráfego e segurança.
- Gêmeos Digitais: Modelagens virtuais da cidade que permitem simular cenários de risco e testar o impacto de políticas públicas antes da execução real.
“Uberlândia se tornará referência em monitoramento, a exemplo das principais capitais. É o uso da inteligência artificial a favor do serviço público”, afirmou o prefeito Paulo Sérgio.
Para além da segurança e do clima, o aporte do BNDES, via Fundo Clima e programa PMAT, contempla uma reforma estruturante na burocracia municipal. O plano prevê:
- Digitalização: Conversão de 14 milhões de documentos físicos para o meio digital.
- Celeridade: Meta de reduzir em até 50% o tempo de tramitação de processos administrativos.
- Regularização: Regularização fundiária de até 10 mil imóveis e atualização do cadastro imobiliário para otimizar a arrecadação de IPTU e ISS.
Um dos braços do projeto foca na rede de ensino. Cerca de 90% das escolas municipais serão integradas ao sistema de monitoramento do COU. A expectativa é que a integração diminua drasticamente o tempo de resposta das forças de segurança em casos de emergências no ambiente escolar.
A iniciativa de Uberlândia é vista pelo BNDES como um modelo de “cidade inteligente” que pode ser replicado em outros municípios de médio e grande porte, unindo a sustentabilidade fiscal à urgência da adaptação às mudanças climáticas.

