Vendas de combustíveis em MG têm leve queda no 1º trimestre de 2026

Etanol puxou a retração no Estado, enquanto a gasolina avançou e ajudou a manter o consumo geral praticamente estável.

Eloi Naves
Frentista abastece carro em março de 2026
O desempenho das vendas da gasolina ajudou o placar a ficar praticamente estável no períodoFoto: Rovena Rosa / Agência Brasil

As vendas de combustíveis pelas distribuidoras em Minas Gerais registraram leve queda de 0,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foram divulgados pelo Diário do Comércio.

Ao todo, foram comercializados 4,2 milhões de metros cúbicos de combustíveis no Estado nos três primeiros meses do ano. A gasolina representou 30,48% desse volume e teve alta de 10,9% no período. O GLP também avançou, com crescimento de 0,3%.

Na direção contrária, além da queda no etanol, o diesel apresentou recuo de 1,7%. O etanol, por sua vez, registrou retração mais acentuada, de 15,2%, influenciando o resultado geral.

Segundo o Diário do Comércio, especialistas avaliam que o consumo total permaneceu praticamente estável porque parte dos motoristas migrou do etanol para a gasolina, especialmente diante da diferença de preços entre os dois combustíveis.

Fernando Sette Júnior, professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, explicou ao Diário do Comércio que a queda do etanol foi compensada pelo avanço da gasolina, já que os dois produtos são substitutos diretos para veículos flex. Na prática, o consumidor não deixou necessariamente de abastecer, mas mudou o combustível escolhido.

O economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, também afirmou ao Diário do Comércio que o etanol perdeu competitividade em relação à gasolina. Segundo ele, o preço do açúcar influencia esse cenário, já que produtores podem destinar maior volume da cana para a fabricação do produto quando o mercado está mais favorável.

O especialista em combustíveis Vitor Sabag destacou ao Diário do Comércio que a soma entre gasolina e etanol indica crescimento no consumo. No primeiro trimestre de 2026, os dois combustíveis somaram 1,76 milhão de metros cúbicos vendidos em Minas, contra 1,72 milhão no mesmo período de 2025.

Diesel recua, mas segue sem substituto direto

No caso do diesel, a queda de 1,7% é vista como moderada. O combustível tem baixa possibilidade de substituição no curto prazo, já que é essencial para transporte de cargas, logística e escoamento agrícola.

Fernando Sette Júnior afirmou ao Diário do Comércio que o recuo indica uma desaceleração moderada, mas não uma ruptura da atividade econômica. Já Vitor Sabag ponderou que o período analisado ainda é curto para indicar uma tendência consolidada.

Sabag também citou ao Diário do Comércio a possibilidade de parte das transportadoras que fazem rotas entre São Paulo e o Nordeste abastecerem fora de Minas Gerais, dependendo da diferença de preços. Segundo ele, os dados dos próximos meses devem indicar se o consumo no Estado voltará a crescer.

Izak Silva reforçou ao Diário do Comércio que a demanda por diesel é bastante inelástica. Mesmo com variações de preço, consumidores e empresas têm pouca margem para substituir o produto.

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