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Regionalzão Notícias > Notícias > Educação > ENEM: presença que sustenta, não pressão que pesa
Educação

ENEM: presença que sustenta, não pressão que pesa

Carlos Cravinhos
Por
Carlos Cravinhos
Publicado 7 de novembro de 2025, 8:53
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Foto: Agência Brasil

Este fim de semana temos ENEM e todos sabemos que, para a maioria dos adolescentes, essa data desperta muitas emoções: um misto de otimismo com medo, ansiedade e insegurança. Mas esta conversa não é para eles; é para os pais. Pais que, de algum modo, fazem parte da vida desses estudantes e, mesmo sem querer, acabam participando também do que pulsa por dentro. O convite é simples: pensar em como ajudar e, ao mesmo tempo, se ajudar.

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Há uma diferença delicada entre acompanhar e ocupar. O ENEM é do seu filho. Quando o adulto tenta garantir o resultado, costuma transferir ansiedade e diminuir o espaço do adolescente para pensar e decidir. Dentro da psicologia, entendemos que o jovem responde melhor quando encontra lugar para agir, quando há confiança, respeito ao tempo e espaço para a própria escolha. Criar esse lugar significa trocar o gerenciamento pela confiança objetiva: “confio no que você construiu até aqui”.

Na véspera, o cuidado fala melhor no silêncio do que em discursos. A fantasia do “faltou algo” produz ruído; a ajuda real é logística discreta: documento separado, rota conferida, lanche leve, horário combinado, sono preservado. Estar ao lado, e não em cima, despressuriza.

Vínculo não é moeda trocada por nota. Quando a aprovação vira prêmio por desempenho, o laço empobrece e a comparação fere, mesmo quando bem-intencionada. Dizer com antecedência que o vínculo está a salvo, qualquer que seja o resultado, organiza por dentro e amplia a responsabilidade do estudante com o próprio percurso. No dia, proteja o tempo e o ambiente, não a prova.

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Mensagens, checagens e “dicas finais” fragmentam a concentração; mais valioso é blindar o estudante de redes, grupos e palpites. O papel do adulto é construir condições e reduzir o barulho.

Depois da prova, a saída é território de luto ou alívio. Não é hora de gabarito, é hora de palavra. Perguntas que abrem: “Como você se sentiu?”, “O que te surpreendeu?”. Elas respeitam a experiência vivida e fortalecem a autoria. A análise técnica, se fizer sentido, vem depois.

E se a ansiedade que aparece for a dos pais? O ENEM também toca histórias adultas: expectativas, sacrifícios, comparações com a própria juventude. Insônia, irritabilidade, controle excessivo e ruminações podem indicar que a prova é sua. Cuidar de si — ajustar a agenda, caminhar, limitar grupos, respirar com consciência — não é egoísmo; é higiene emocional. Pais regulados ajudam mais.

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O ENEM passa; o vínculo permanece. Se este período for lembrado como tempo de presença confiável, não de fiscalização; de limites claros, não de barganhas; de escuta, não de comparações, você terá feito algo precioso: ampliou a chance de seu filho responder por si com mais liberdade. E, se a ansiedade e os conflitos persistirem, a psicoterapia oferece um espaço confidencial para nomear o que se repete e construir outras saídas, sem moralismos e com direção clínica.

Laura Diniz — Psicóloga | Psicanalista

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