Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), campus Patos de Minas, desenvolveram um novo modelo de antena de microfita capaz de ampliar a eficiência e o desempenho em sistemas modernos de comunicação. O dispositivo, mais leve, plano e compacto do que modelos tradicionais, foi detalhado em artigo publicado no IEEE Open Journal of Antennas and Propagation (OJAP), uma das revistas internacionais de maior prestígio na área.
A antena de microfita, amplamente utilizada em satélites, radares e equipamentos sem fio, ganhou uma configuração inédita ao combinar duas técnicas que, até então, eram aplicadas separadamente. O resultado é um dispositivo com dupla polarização, capaz de transmitir e receber sinais em orientações diferentes simultaneamente, garantindo maior estabilidade e menor suscetibilidade a interferências.
A pesquisa foi idealizada pelo professor Renan Santos, do Departamento de Telecomunicações da Faculdade de Engenharia Elétrica (Feelt/UFU), e desenvolvida como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do estudante Natanael Sousa, do curso de Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações. O estudo também contou com colaboração do Laboratório de Antenas e Propagação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), referência nacional em pesquisas na área.
Segundo Renan Santos, o apoio do professor Daniel C. Nascimento, do ITA, foi determinante para alcançar os resultados apresentados. “A parceria foi fundamental para a fabricação e a caracterização experimental dos protótipos, garantindo que o trabalho atingisse padrões internacionais de rigor e qualidade”, afirma.
A inovação tem potencial para aplicações em setores de alta demanda tecnológica. Com dupla polarização, estrutura compacta, boa largura de banda e desempenho aprimorado, a antena pode ser empregada em sistemas de comunicação de alta complexidade, como satélites, radares e redes sem fio avançadas — áreas que exigem estabilidade de sinal e alta eficiência.
De acordo com Santos, a principal contribuição do estudo é melhorar o ganho e ampliar a faixa de operação sem elevar a complexidade de fabricação, característica valorizada pela indústria. “Conseguimos aprimorar o desempenho mantendo a antena simples, leve e viável para diferentes aplicações”, explica.
A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
