A hegemonia voltou: clássico “Pão de Queijo” decide novamente a Superliga e se consolida como o novo “Osasco x Rio”

De 2004 a 2017, o Brasil parava para ver a rivalidade entre Bernardinho e Luizomar. Hoje, uma nova geração cresce vendo Praia e Minas dominarem o topo do vôlei nacional.

Marcel Miranda
A imagem mostra uma equipe de vôlei feminina.
Foto: Divulgação

Para quem acompanhou o vôlei feminino no início dos anos 2000, já era uma tradição anual como Carnaval, Páscoa e Natal: a final da Superliga era sempre igual. De um lado, a força do Rio de Janeiro de Bernardinho, e do outro, o talento do Osasco de Luizomar de Moura. Por quase uma década (de 2004 a 2013), a final da Superliga era um roteiro repetido, com as cariocas levando a melhor na maioria das vezes — foram 10 títulos contra 3 das paulistas.

No entanto, o tempo passou, os investimentos vieram e o “eixo do vôlei” mudou de rota. O que antes era uma exclusividade Rio-São Paulo, hoje é território mineiro. Neste Domingo, o Ibirapuera não verá apenas mais uma final; verá a consagração do “Clássico Pão de Queijo” como a maior rivalidade do país, o legítimo herdeiro do histórico “Osasco x Rio”, que ficou pra trás e acabou perdendo a hegemonia das finais de Superliga.

O “elefante na árvore” que se tornou gigante

Tudo começou a mudar na temporada 2015/16. O Dentil Praia Clube, até então visto como um time emergente, deu o primeiro “susto” ao eliminar o tradicional Osasco na semifinal. Na decisão daquele temporada, em jogo único em Brasília, o título ainda ficou com o Rio de Janeiro (3×1), e muitos críticos acreditaram que o feito das mineiras teria sido esporádico — o famoso “elefante na árvore” que logo cairia.

A resposta veio dois anos depois. Em 2017/18, o Praia não só chegou à final, como protagonizou um dos momentos mais épicos do esporte. Após perder o primeiro jogo no Rio, o time de Uberlândia transformou o Sabiazinho em um caldeirão. Em uma manhã inspirada, o Praia aplicou um verdadeiro massacre que ficou pra história: 4×0. Como isso foi possível? Vencendo o jogo e o “Golden Set”, que desempatou a série e veio para faturar o primeiro título nacional das Praianas, e de quebra, “aposentar” a lendária líbero Fabi com um vice-campeonato.

A imagem mostra uma equipe de vôlei feminina.
Foto: Divulgação

Minas Gerais: A Terra do Vôlei e do ‘Pão de Queijo’

A partir daquela conquista aurinegra, a hegemonia mudou de mãos definitivamente. O Gerdau Minas, que estava “adormecido”, despertou com novos investimentos e passou a fazer companhia ao Praia no topo. O clássico ganhou o apelido carinhoso de “Pão de Queijo”, uma referência à iguaria mais famosa do estado que todo brasileiro quer provar — assim como todo time agora quer tentar tirar o título de Minas Gerais.

O termo “Clássico Pão de Queijo” se popularizou nas redes sociais e entre a imprensa, pela frequência com que as equipes se enfrentam não só na Superliga, mas também nas finais do Campeonato Mineiro, Copa Brasil e Sul-Americano de Clubes. Atualmente, é o confronto que mais decidiu títulos oficiais no Brasil na última década.. E uma curiosidade: Gleudo Fonseca, um grande jornalista de Uberlândia que costuma estar sempre cobrindo os jogos do Praia, afirma ter sido o criador da alcunha, após ter brincado com isso em uma reportagem para o jornal local da cidade. Mas isso é papo para uma outra matéria.

Desde 2018, as interrupções no ‘Domínio do Pão de Queijo’ foram raras: a pandemia em 2020 e a final paulista na temporada 24/25, entre Osasco x Sesi-SP. Fora isso, o cenário é de controle total das mineiras.

Uma nova geração, um novo clássico

Assim como é o caso do autor desta matéria, as crianças dos anos 2000 cresceram vendo as camisas azul e laranja de Rio e Osasco decidirem tudo. E atualmente, existe uma geração atual que já se acostumou com o amarelo e o azul de Praia e Minas na final da Superliga Feminina. O vôlei brasileiro hoje fala “uai”.

A hegemonia mineira não é apenas financeira; é técnica, tática e de gestão. O que antes parecia impossível, agora já normal: Minas e Praia são sempre favoritos para chegar na final. Os outros times é que precisam suar para conseguir um lugar ao sol.

As mineiras provaram que o profissionalismo fora das quatro linhas reflete em troféus. 

Neste Domingo, às 10h, quando a bola subir, o Brasil verá que o pão de queijo não é apenas uma tradição culinária, mas a receita do sucesso do vôlei brasileiro.

A decisão terá transmissão da TV Globo (aberta), do SporTV2 (fechada), da GeTV (YouTube) e da VBTV (plataforma de streaming da Federação Internacional de Vôlei).

Prepare o despertador e a torcida! Este é o tipo de jogo em que cada ponto é uma batalha e cada set é uma história à parte.

  • Evento: Final da Superliga Feminina 26/27
  • Confronto: Dentil/Praia Clube vs. Gerdau/Minas
  • Data: Domingo
  • Horário: 10h (horário de Brasília)
  • Local: Ginásio do Ibirapuera, São Paulo (SP)
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