No mundo do esporte, as superstições muitas vezes jogam junto com os atletas. No vôlei feminino brasileiro, uma estatística curiosa tem tirado o sono de torcedores e servido de combustível para provocações: desde 2021, quem levanta a taça do Campeonato Mineiro acaba vendo o título da Superliga escapar por entre os dedos. Neste domingo (3), às 10h, no Ibirapuera, Minas e Praia Clube decidem o título nacional sob a sombra dessa curiosa “maldição”.
O Retrospecto: Onde o Mito se Criou
A tendência começou na temporada 2021/2022. Naquele ano, o Praia Clube dominou o estado, mas viu o Minas celebrar o título nacional na decisão. O roteiro se repetiu de forma invertida nas duas temporadas seguintes: em 2022/2023, o Minas foi campeão mineiro e o Praia deu o troco na Superliga. Já em 2023/2024, o time de Uberlândia recuperou o trono estadual, mas viu as rivais de Belo Horizonte ficarem com o caneco da Superliga meses depois.
Nem mesmo quando o grande vencedor mudou, a escrita falhou. Na última temporada (2024/2025), o Minas manteve sua hegemonia regional ao vencer o estadual, mas a Superliga acabou nas mãos do Osasco. Ou seja, há quatro anos, o campeão mineiro termina a temporada nacional sem o título principal.
Comparativo de Campeões: Mineiro vs. Superliga
| Temporada | Campeão Mineiro | Campeão Superliga | Relação (Mito) |
| 2021-2022 | Praia Clube | Minas | Confirmado (Praia ganhou Mineiro / Minas SL) |
| 2022-2023 | Minas | Praia Clube | Confirmado (Minas ganhou Mineiro / Praia SL) |
| 2023-2024 | Praia Clube | Minas | Confirmado (Praia ganhou Mineiro / Minas SL) |
| 2024-2025 | Minas | Osasco | Confirmado (Minas não levou a SL) |
| 2025-2026 | Minas | A definir (03/05/2026) | Final entre Minas x Praia |
O “Davi contra Golias” de 2026
Se o Praia Clube precisa de motivos para acreditar, o retrospecto recente do Mineiro é o seu maior aliado. Isso porque, dentro de quadra, o favoritismo do Minas Tênis Clube é avassalador.
Na atual temporada (2025/2026), o domínio minastenista é absoluto. Nos confrontos diretos, o somatório de sets é de impressionantes 15 a 2 para a equipe da capital. O Praia não conseguiu sequer levar um jogo para o tie-break, amargando derrotas contundentes no Campeonato Mineiro, na Copa Brasil e nos dois turnos da Superliga.
O Apego à Superstição
Para o técnico Rui Moreira e as jogadoras de Uberlândia, a final em jogo único representa, acima de tudo, a chance de zerar o placar da temporada. Nesse sentido, embora chegue com o rótulo de “azarão”, o Praia pode se apegar ao fato de que, nos últimos anos, o favoritismo construído no início da jornada mineira nem sempre se traduziu, efetivamente, em medalha de ouro no pódio da Superliga.
Do outro lado, o Minas de Lorenzo Pintus entra em quadra para provar que a estatística é apenas um detalhe diante de um vôlei quase impecável. A equipe vai em busca não apenas do título, mas também do fim definitivo dessa “mística” que insiste em assombrar o campeão do estado.
No domingo, saberemos: o Minas quebrará o tabu ou a “Maldição do Mineiro” fará o Praia Clube sorrir por último ao final da temporada?

