A trajetória de Poliana Barbosa Medeiros, 34, no futebol feminino desafia a estatística comum a atletas de alto rendimento nascidas fora dos grandes centros de formação. Natural de Ituiutaba, no Pontal do Triângulo Mineiro, a defensora consolidou na última década um dos currículos mais vitoriosos da modalidade no país, com passagens por quatro ligas nacionais e um recorde continental.
Atualmente no Palmeiras, Poliana detém a marca de ser a primeira jogadora a conquistar cinco vezes a Copa Libertadores da América, feito construído ao longo de passagens por São José, Corinthians e pela própria equipe alviverde.
A carreira da mineira ilustra a profissionalização gradual do futebol feminino no Brasil. Antes de chegar ao topo da América do Sul, a atleta iniciou sua formação esportiva em Ituiutaba.
A relevância de Poliana para o esporte se mede pelos números. Sua “dinastia” na Libertadores começou com o São José (SP), clube que dominou o cenário na década passada. Pela equipe, venceu as edições de 2011, 2013 e 2014.
Sua capacidade de adaptação, atuando tanto na lateral-direita quanto na zaga, a levou a repetir o feito em dois rivais paulistas: no Corinthians, em 2021, e no Palmeiras, em 2022. Nesta última conquista, marcou um dos gols na final contra o Boca Juniors (ARG), tornando-se a única atleta a balançar as redes em três decisões diferentes do torneio continental.
O desempenho em clubes a credenciou para a seleção brasileira, pela qual disputou competições de grande porte, como as Olimpíadas do Rio-2016 e a Copa do Mundo de 2015, no Canadá, e de 2019, na França.
No currículo com a camisa amarela, a ituiutabana soma o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto (2015) e o bicampeonato da Copa América (2014 e 2018).
A carreira também inclui experiência internacional, com passagens pelo Stjarnan, da Islândia, e pelos norte-americanos Houston Dash e Orlando Pride, que disputam a NWSL (National Women’s Soccer League), considerada uma das ligas mais competitivas do mundo.
Em 2025, Poliana segue como peça experiente no elenco do Palmeiras, atuando como referência técnica para uma nova geração de jogadoras que encontram, hoje, uma estrutura mais robusta do que a enfrentada pela mineira no início de sua jornada no Triângulo.

