Uberaba propõe reduzir ISS para tentar preservar empregos após hibernação da Mosaic

Município também pretende adiar o recolhimento do imposto e criou um observatório para acompanhar os impactos da crise global no fornecimento de enxofre sobre a cadeia de fertilizantes.

Eloi Naves
Fábrica de Fertilizantes da Mosaic em Uberaba-MG
Crise do enxofre é a principal responsável pela hibernação da planta industrial.Foto: Mosaic

A Prefeitura de Uberaba anunciou um pacote de medidas para tentar reduzir os impactos econômicos provocados pela decisão da Mosaic Fertilizantes de colocar em hibernação gradual sua unidade de produção de fosfato na cidade a partir de setembro. Entre as propostas estão a redução da alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS), a postergação do recolhimento do tributo e a criação de um observatório para acompanhar a situação do setor.  

A iniciativa busca preservar empregos e minimizar os reflexos da crise global no fornecimento de enxofre, principal matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados. A escassez do insumo tem pressionado custos e levado a empresa a rever sua operação em diferentes unidades no Brasil.  

Prefeitura propõe redução do ISS

Em nota, a administração municipal informou que mantém diálogo permanente com a Mosaic e representantes do setor de fertilizantes para construir alternativas que reduzam os impactos econômicos da paralisação.

Segundo a prefeitura, dentro das competências do município, está sendo proposta a redução da alíquota do ISS, além da postergação do recolhimento do imposto municipal.

A administração também informou que mantém interlocução com os governos de Minas Gerais e Federal para buscar soluções que reduzam a dependência brasileira de insumos importados utilizados na fabricação de fertilizantes, fortalecendo uma cadeia considerada estratégica para a produção de alimentos.  

Observatório acompanhará impactos

Como parte das medidas, a Prefeitura de Uberaba oficializou a criação do Observatório Municipal de Segurança de Fertilizantes.

O grupo reúne representantes do poder público, empresas produtoras de fertilizantes instaladas no município, Associação do Distrito Industrial de Uberaba (Adiub), além de instituições de pesquisa, universidades e entidades da sociedade civil.

O objetivo é monitorar os impactos da crise internacional sobre a cadeia produtiva, acompanhar riscos para o abastecimento, avaliar efeitos sobre empregos e propor novas medidas de incentivo ao setor.  

Mosaic atribui decisão à crise global do enxofre

Em posicionamento oficial, a Mosaic afirmou que iniciou, em 8 de julho, um plano temporário de redução da produção em parte de suas operações de fosfato no Brasil devido às restrições globais no fornecimento de enxofre.

De acordo com a empresa, o cenário é resultado da instabilidade geopolítica internacional, limitações em rotas marítimas, aumento da demanda mundial e forte elevação dos custos da matéria-prima.

A companhia informou que o complexo industrial de Uberaba entrará em hibernação gradual a partir de setembro em razão da continuidade das dificuldades de abastecimento. A produção deverá ser mantida até o esgotamento dos estoques de ácido sulfúrico.  

Empresa afirma que medida é temporária

A Mosaic ressaltou que a decisão não representa mudança na estratégia de longo prazo da companhia e que pretende retomar a plena capacidade operacional quando houver normalização do mercado internacional de enxofre.

Segundo a empresa, a duração das restrições dependerá da estabilização dos preços da matéria-prima, da recuperação das cadeias globais de suprimentos e da evolução do cenário geopolítico.  

Crise se soma às paralisações em Minas Gerais

A nova medida amplia um cenário que já vinha afetando as operações da Mosaic em Minas Gerais.

No primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou prejuízo operacional de US$ 422 milhões, reflexo de encargos relacionados ao encerramento das atividades em Araxá e Patrocínio. Na ocasião, o sindicato da categoria estimou que cerca de 1,2 mil trabalhadores poderiam ser afetados pelas paralisações. 

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário