STJ mantém processo contra supervisor por incêndio que matou três em canavial de Ituiutaba

Decisão do STJ mantém ação contra supervisor de usina por tragédia de 2021 que resultou na morte de três trabalhadores em canavial no Triângulo Mineiro

Sirley de Araújo
A imagem mostra a fachada do prédio do STJ
Foto : Divulgação - Gustavo Lima/STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o recurso apresentado pela defesa de um supervisor de usina de bioenergia. A decisão mantém o andamento do processo criminal sobre o incêndio florestal que causou a morte de três trabalhadores em um canavial de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. O trágico acidente aconteceu em agosto de 2021 e gerou grande comoção em todo o estado.

A apelação foi protocolada pela defesa do supervisor, funcionário da BP Bunge à época do ocorrido. De acordo com os autos do processo, as chamas atingiram um ônibus que transportava trabalhadores da empresa enquanto o veículo passava pela lavoura de cana-de-açúcar. Como consequência, três profissionais perderam a vida e outros ficaram feridos.

A defesa questionava a validade das provas coletadas durante a fase de investigação. Os advogados alegavam que teria ocorrido uma quebra na cadeia de custódia de materiais apreendidos, tais como celulares, computadores e documentos físicos. Além disso, argumentavam que houve manuseio incorreto e violação de lacres de mídias digitais. Portanto, os defensores solicitavam a anulação dessas evidências por considerá-las pouco confiáveis.

Decisão do STJ e a rejeição do recurso

Contudo, o ministro Ribeiro Dantas, relator do caso no STJ, desconsiderou a tese apresentada pelos defensores do réu. Em sua decisão de rejeição ao habeas corpus, o magistrado destacou que as instâncias do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já haviam analisado e rejeitado esse questionamento de forma detalhada.

Consequentemente, o ministro pontuou que os registros das investigações contêm todas as informações necessárias para assegurar o rastreamento dos vestígios obtidos. Segundo o relator, “os registros existentes permitiam a reconstrução da trajetória dos vestígios e a identificação dos responsáveis pelas sucessivas etapas de custódia”. Por esse motivo, o ministro avaliou que alterar essa conclusão demandaria uma reaveleação de provas, o que é proibido pelas regras de julgamento do STJ.

Impacto na segurança do trabalho regional

O caso de Ituiutaba trouxe à tona discussões profundas sobre as condições de segurança laboral no setor sucroenergético.

Com essa decisão do STJ, a ação penal de primeira instância segue o trâmite normal na comarca mineira. Desse modo, a Justiça continuará analisando a responsabilidade criminal dos envolvidos na tragédia que tirou a vida dos três trabalhadores rurais.

FONTES:O Fator
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