O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) emitiu um alerta urgente sobre o crescimento da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. O levantamento, divulgado nesta semana, antecede o Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março. Os dados revelam um cenário preocupante: entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, Minas Gerais registrou 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável.

Dados alarmantes no Triângulo Mineiro
O estudo aponta que a violência atinge 71,6% do território mineiro. No ranking das cidades com maior número de notificações, Uberaba ocupa a terceira posição estadual, com 135 casos, seguida de Uberlândia, que registrou 105 ocorrências. No total, a região do Triângulo responde por 13% de todos os registros de Minas Gerais.
De acordo com a promotora de Justiça Graciele de Rezende Almeida, o ambiente doméstico ainda é o mais perigoso. Em mais de 52% dos episódios, o agressor é alguém do círculo familiar ou de confiança da vítima. Além disso, a gravidade dos crimes resultou em 235 casos de gravidez infantil no período analisado.
Ações de combate e o “Maio Laranja”
Para enfrentar esses números, o MPMG intensifica estratégias de prevenção. As promotorias de Justiça estão analisando individualmente os casos de gravidez para garantir o acolhimento humanizado das vítimas.
Além disso, durante o mês de maio, a instituição lançará a “Caravana Proteger”. O projeto percorrerá oito regiões de Minas para capacitar conselheiros tutelares e profissionais da rede de proteção. O foco é padronizar o atendimento e evitar que a criança sofra novos traumas durante o processo de denúncia.
Como identificar sinais de abuso
Muitas vezes, a criança não consegue verbalizar a violência. Por isso, pais e responsáveis devem observar mudanças repentinas de comportamento. Sinais como isolamento, medo excessivo, queda no rendimento escolar, pesadelos ou dores físicas inexplicáveis são alertas graves.
Portanto, ao suspeitar de qualquer irregularidade, a orientação é procurar imediatamente o Conselho Tutelar, o Ministério Público ou a Polícia Civil. O diálogo aberto e a informação adequada ainda são as melhores ferramentas para prevenir a violência sexual contra crianças.

