Um relatório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) acendeu o alerta sobre a Barragem D4, localizada na Unidade de Descomissionamento de Caldas (UDC), operada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A estrutura, construída originalmente como bacia de decantação, passou a receber rejeitos radioativos, elevando o risco ambiental e social na região.
Apesar da Agência Nacional de Mineração (ANM) ter atestado a estabilidade da barragem em março de 2024, parlamentares alertam para a ausência de um Plano de Ação de Emergência (PAE), fundamental para regiões com resíduos nucleares. A deputada Bella Gonçalves classificou a situação como preocupante:
Não basta um laudo dizer que está estável. A INB precisa garantir segurança efetiva e um plano de evacuação para a comunidade.”
Bella Gonçalves, deputada estadual
Drenagem ácida aumenta riscos ambientais
Outro ponto crítico identificado no relatório é a drenagem ácida. A água que passa pelas pilhas de estéril dissolve metais pesados como o urânio, criando efluentes tóxicos. Segundo a INB, são tratados cerca de 350 m³/hora de água contaminada, mas especialistas consideram esse volume insuficiente para o passivo ambiental existente.
Para reduzir os riscos, a INB planeja construir uma nova estação de tratamento de efluentes até 2027. No entanto, o orçamento atual, de R$ 190 milhões para 10 anos, está muito abaixo do necessário. A empresa estima precisar de R$ 2 bilhões para concluir o descomissionamento da unidade até 2050.
Comunidade Vale Verde vive sob medo de evacuação
O relatório também chama atenção para a situação da comunidade Vale Verde, localizada próxima à UDC. Moradores receberam em 2020 uma notificação da Defesa Civil orientando a evacuação em até 90 dias devido aos riscos das barragens da região. Uma decisão judicial suspendeu a saída compulsória, mas o temor continua.
Vivemos com medo. Ninguém dorme tranquilo sabendo que tem rejeito radioativo sobre nossas cabeças.”
Messias Donizete Ferreira, líder comunitário
A ALMG cobra maior transparência da INB sobre análises ambientais na região, incluindo testes em água, solo, poeira e produtos agropecuários. Parlamentares também defendem a participação ativa dos órgãos ambientais estaduais e federais no acompanhamento das estruturas da empresa em Caldas.
Enquanto isso, a Barragem D4 segue como ponto crítico, exigindo vigilância constante para evitar desastres ambientais e garantir a segurança das comunidades vizinhas.

