O desmatamento no Cerrado de Minas Gerais seguiu trajetória oposta à tendência nacional e dobrou nos últimos meses. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, os alertas de supressão vegetal no estado saltaram de cerca de 119 quilômetros quadrados no período anterior para aproximadamente 240 quilômetros quadrados, segundo dados de monitoramento por satélite.
O avanço ocorre no momento em que o Cerrado, como um todo, apresentou redução nos alertas de desmatamento no Brasil, com queda de cerca de 6% no mesmo intervalo. O contraste coloca Minas Gerais na contramão do cenário nacional de contenção da perda de vegetação nativa no bioma.
Os dados são provenientes do sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foram consolidados pelo Ministério do Meio Ambiente. Os alertas indicam áreas com indícios de desmatamento detectados por satélite, servindo como instrumento de fiscalização e combate a irregularidades ambientais.
Entre os municípios mineiros com maiores registros de alertas no período estão João Pinheiro, Paracatu, Chapada Gaúcha, Bonito de Minas e Santa Fé de Minas — regiões com forte presença de atividades agropecuárias e expansão da fronteira agrícola.
Especialistas apontam que o Cerrado, considerado o berço das águas do Brasil por abrigar nascentes que alimentam importantes bacias hidrográficas, enfrenta pressão constante devido à conversão de áreas nativas para produção agrícola e pecuária. A elevação dos alertas em Minas reforça o desafio de equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental.
O bioma Cerrado é o segundo maior do país e já perdeu grande parte de sua cobertura original nas últimas décadas. O aumento recente no território mineiro acende sinal de alerta para órgãos ambientais e para a necessidade de intensificação das ações de fiscalização e controle.
