Déficit habitacional em Minas supera 500 mil moradias

Estado tem o terceiro maior déficit habitacional do país e enfrenta desafios relacionados ao alto custo do aluguel, moradias precárias e falta de acesso à habitação para famílias de baixa renda

Eloi Naves
Residências do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo FederalFoto: Ricardo Stuckert / PR

Minas Gerais possui um déficit habitacional superior a 500 mil moradias e figura entre os estados brasileiros com maior necessidade de políticas voltadas à habitação. Os dados são da Fundação João Pinheiro (FJP) e foram destacados em reportagem do Diário do Comércio sobre os desafios do setor habitacional mineiro.

Segundo o levantamento, o Estado contabiliza cerca de 506 mil moradias em déficit, o que coloca Minas na terceira posição nacional, atrás apenas de São Paulo e Bahia. O indicador representa o número de famílias que necessitam de uma nova moradia, seja por viverem em condições inadequadas, dividirem residência com outros núcleos familiares ou enfrentarem dificuldades para arcar com os custos da habitação.

Aluguel é principal fator do déficit

Ao contrário do que muitos imaginam, a maior parcela do déficit habitacional não está ligada à falta física de imóveis. O principal problema atualmente é o chamado ônus excessivo com aluguel urbano.

Esse indicador considera famílias com renda de até três salários mínimos que comprometem mais de 30% dos rendimentos mensais apenas para pagar aluguel. Em Minas Gerais, essa situação responde por mais de três quartos do déficit habitacional registrado.

O cenário reflete a dificuldade crescente de milhares de famílias para manter uma moradia adequada diante da alta dos preços dos imóveis e dos aluguéis observada nos últimos anos.

Famílias de baixa renda são as mais afetadas

O estudo mostra que o déficit habitacional está concentrado principalmente entre famílias de menor renda. Grande parte das moradias em falta está relacionada a famílias que recebem até dois salários mínimos.

Especialistas apontam que o aumento dos custos de vida, aliado às dificuldades de acesso ao crédito imobiliário, tem ampliado os obstáculos para a conquista da casa própria, especialmente entre trabalhadores de renda mais baixa.

Além disso, mulheres chefes de família representam parcela significativa dos domicílios inseridos no déficit habitacional, evidenciando o impacto social da falta de moradia adequada.

Mais de 1 milhão de imóveis precisam de melhorias

Além das mais de 500 mil moradias necessárias para suprir o déficit quantitativo, Minas Gerais enfrenta outro desafio: a qualidade das residências já existentes.

Estimativas apresentadas pelo governo estadual indicam que cerca de 1,2 milhão de imóveis necessitam de reformas ou melhorias para garantir condições adequadas de habitabilidade.

Entre os principais problemas estão falta de infraestrutura básica, deficiências estruturais, ausência de regularização fundiária e carência de serviços essenciais como saneamento e drenagem urbana.

Construção civil defende ampliação de políticas habitacionais

Representantes do setor da construção civil defendem a ampliação de programas habitacionais e mecanismos de financiamento para reduzir o déficit ao longo dos próximos anos.

Entre as alternativas apontadas estão a expansão do programa Minha Casa Minha Vida, o fortalecimento das parcerias entre governos e iniciativa privada e a criação de novas linhas de crédito voltadas para famílias de baixa renda.

A expectativa do setor é que o aumento da oferta de moradias populares também contribua para estimular a economia, gerar empregos e reduzir a pressão sobre os preços dos aluguéis.

Desafio histórico

Embora programas habitacionais tenham contribuído para reduzir parte do problema ao longo dos últimos anos, o déficit habitacional permanece como um dos principais desafios sociais de Minas Gerais.

Com mais de meio milhão de moradias em falta e cerca de 1,2 milhão de imóveis necessitando de melhorias, especialistas defendem que a solução passa por um conjunto de ações que envolvem habitação, infraestrutura urbana, geração de renda e acesso ao crédito.

O objetivo é garantir que mais famílias tenham acesso a moradias adequadas, seguras e compatíveis com sua realidade financeira.

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