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Em Minas, 2 milhões de adultos são desdentados, aponta pesquisa

Em Minas, 2 milhões de adultos são desdentados, aponta pesquisa

07/06/2015 às 16h00
Por: Adelino Júnior
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Em Minas Gerais, cerca de 2,069 milhões de pessoas adultas estão sem nenhum dente, o que equivale a 13,5% da população com mais de 18 anos. Os dados são relativos ao ano de 2013 e fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) – Acesso e Utilização dos Serviços de Saúde, Acidentes e Violências, divulgada na última terça-feira. Neste universo, quase metade tem mais de 60 anos e 26,8% têm escolaridade baixa, variando entre sem instrução a ensino fundamental incompleto. [caption id="attachment_64523" align="aligncenter" width="600"]pesquisa-dentista (Foto: Reprodução/Marcos Ribeiro)[/caption] O professor da UFU, Sérgio Vitorino, explica que há uma relação entre os números, uma vez que a população com menos acesso à educação tem menor conhecimento de saúde bucal. Vitorino ainda lembra que a questão da arcada dentária problemática não se trata apenas de um problema estético, mas de consequências para a saúde e convívio social. Entre os problemas relacionados à falta de dentes estão dificuldades de mastigação e fala, além da disfunção de mordida, que podem levar a outros problemas de saúde, como dor de cabeça crônica. A média de pessoas sem dentes no Estado de Minas é 2,5 pontos percentuais maior que a do País. Em nível nacional, 11% da população brasileira perdeu todos os dentes. Em números absolutos, essa percentagem é igual a 16 milhões e 87 mil brasileiros. Os números da pesquisa são altos, na avaliação do odontologista e professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Sérgio Vitorino Cardoso. “Existem padrões internacionais que mostram que há um caminho ainda muito grande para trilharmos e termos uma população com saúde bucal de excelência”, disse. Aos 37 anos, o autônomo Fernando José dos Santos está entre os milhões mineiros incluídos nos dados da PNS, relativos ao quadro da saúde bucal no Estado e no País. Fernando perdeu todos os dentes em decorrência de uma gengivite. Segundo ele, antes de contrair a doença, havia ido a um dentista, apenas três vezes na vida. Com o avanço da gengivite, os dentes precisaram ser extraídos por completo, o que aconteceu entre 2011 e 2014. “Faço uso de prótese, mas a peça causa incômodo na boca”, disse. Fernando conta ainda que nunca sofreu preconceito abertamente por conta da perda dos dentes, mas que costuma ser questionado sobre o seu estado. “Muita gente pergunta o que me aconteceu, mas eu não me incomodo”, afirmou. 56,8% dos mineiros não foram ao dentista em 2013, ano do levantamento Os números da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013 mostram ainda que 56.8% da população mineira deixou de ir ao dentista durante o ano em que foi feito o levantamento. Ou seja, menos da metade da população de Minas Gerais cumpre o mínimo para manter a saúde bucal. É consenso entre a categoria que a visita anual a um dentista é o suficiente para prevenir problemas. A média mineira está abaixo da brasileira, que, segundo o PNS 2013, foi de 44,4% nos 12 meses de pesquisa. Na minoria que visitou um consultório odontológico nos 12 meses de pesquisa no Estado, a maior parte é de adultos entre 18 e 29 anos, com 52,2%. Ainda no grupo dos que foram ao dentista, 60,6% têm nível superior completo. O professor de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia, Sérgio Vitorino Cardoso, explicou que a origem de muitos problemas de saúde bucal está relacionada à falta de prevenção. “Se você tem boa manutenção dos dentes, qualquer doença que apareça poderá ser tratada com antecedência e pode não haver a necessidade de extração de um dente”, afirmou. Quase metade dos sem dentes tem mais de 60 anos Em nível nacional, a pesquisa do PNS aponta que o Brasil tem 11% da sua população sem nenhum dente, o que corresponde a mais de 16 milhões de pessoas. Entre as mulheres, essa percentagem sobe para 13,3% e, entre os homens, cai para 8,4%. Das pessoas com 60 anos ou mais, 41,5% já perderam todos os dentes. E 22,8% dos brasileiros sem nenhuma instrução ou sem ensino fundamental concluído estão completamente desdentados. Além disso, 23% dos brasileiros perderam 13 dentes ou mais, e 33% usam algum tipo de prótese dentária. A pesquisa da PNS mostra ainda que o atendimento odontológico no país acontece majoritariamente na rede privada. Entre os brasileiros com mais de 18 anos que buscaram atendimento de saúde bucal, 74,3% recorreram a consultórios particulares. As unidades básicas de saúde foram responsáveis por apenas 19,6%.
Correio de Uberlândia
 
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