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Em busca de índice olímpico, atleta faz vaquinha on-line para correr no Chile

Em busca de índice olímpico, atleta faz vaquinha on-line para correr no Chile

16/11/2015 às 17h23
Por: Adelino Júnior
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Grazielle Pedroso sonha alto e acredita que tem o que é necessário para chegar lá. Quer dizer, tem quando o assunto não é dinheiro. Após conquistar o melhor tempo da carreira este ano, na Maratona Internacional de Porto Alegre, com 2h53m33, a corredora, de Uberaba, no interior de Minas, usou a criatividade para financiar a ida ao próximo desafio de 42 km. Com a grana curta, criou uma vaquinha na internet para juntar os R$ 3 mil necessários para custear passagens aéreas, alimentação e hospedagem para competir na Maratona de Santiago, no Chile, em 3 de abril de 2016. Para confirmar presença, ela precisa levantar o dinheiro até o fim deste ano, e está no caminho: até esse domingo, havia conseguido quase metade do valor em doações. Grazielle ficou sabendo das plataformas de financiamento coletivo através de uma amiga e resolveu apostar na solidariedade. Os interessados em ajudar podem fazer doações através de conta corrente. Lidando com a falta de apoio desde o início da carreira, há oito anos, ela atribui a persistência à família e aos amigos. – A falta de incentivo é comum não só no atletismo, mas no esporte brasileiro em geral. Tenho contado com a ajuda de familiares e amigos, foi a forma que encontrei para continuar. Se não fossem eles, já teria parado de correr – admitiu. Mesmo com as dificuldades, a corredora brasileira pensa longe. Ela quer entrar para a elite mundial das maratonistas, conseguindo um tempo na casa de 2h41m, não por coincidência, perto do índice feminino para competir nos Jogos Olímpicos do Rio. Pode parecer distante, mas para efeito de comparação, os cerca de 12 minutos que Grazielle precisaria baixar no próprio tempo até o ano que vem, ela conseguiu tirar este ano em relação à melhor marca de 2014, quando venceu a Maratona de Santa Catarina com 3h04m36. – Acredito que nada é impossível. Basta trabalhar duro para isso. Se sonho? Sonho sim! Mas vou com um passo de cada vez. Maratona (42 km) é uma prova que não admite erros. Quero sim correr próximo deste tempo em Santiago – afirmou. Na capital chilena, ela crê que terá um cenário apropriado para conseguir melhorar a performance, com percurso plano e temperatura amena. – Correr rápido em Santiago poderia até me colocar muito próximo do índice olímpico. Por isso ela é tão importante. Essa prova me garantirá vantagens. Há tempos pré-estabelecidos para, por exemplo, largar no pelotão de elite em provas como a Maratona de Boston, que exige que os atletas tenham um tempo para participar da prova – explicou a atleta, que treina de domingo a domingo.

Orgulhosa de estar com um dos melhores tempos do ano entre atletas brasileiras e de superar os desafios através da amizade, a mineira reconheceu que estar em evidência requer investimentos e que quanto maior o nível, mais recursos serão necessários.

– Eu acho meu desempenho bem satisfatório, pois não é fácil chegar entre as 10 melhores. Envolve muito trabalho e precisa de muita ajuda financeira. Quanto melhor você está, em mais provas importantes você precisa entrar. Está caro, e as provas acontecem no estado de São Paulo ou lugares mais distantes – concluiu.
Globo Esporte
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