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Casa de diarista em São Paulo ganha o prêmio de melhor construção do ano

Casa de diarista em São Paulo ganha o prêmio de melhor construção do ano

19/02/2016 às 16h36
Por: Adelino Júnior
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Dona do imóvel na Zona Leste de São Paulo que ganhou o prêmio internacional “Building of the Year 2016” (melhor construção do ano), promovido por um dos sites mais importantes do segmento no mundo, o ArchDaily, a diarista Dalvina Borges Ramos, aos 74 anos, ainda não se acostumou com a cor de sua nova casa. “A parede eu até acho bonitinha, mas esse chão dá a impressão que é sujo. Quero colocar um piso branquinho para dar uma aparência mais alegre", explica.

A reforma foi planejada por Marcelo Borges, filho único da diarista, e o responsável por procurar um escritório de arquitetura com dois pedidos: urgência e orçamento limitado. O imóvel capengava não apenas pela idade avançada – foi adquirido por Dalvina há mais de 25 anos – mas também pela construção mal planejada.

A gota d'água foi um dilúvio. Parte do teto desabou durante uma forte chuva na capital paulista em 2013. Dalvina estava no banho quando a estrutura caiu. “Ouvi um barulhão. Quando cheguei no quarto, aquele cenário, uma fumaça. Os pedaços de concreto estavam em cima da cama. Demorou um tempo pra ficha cair que tudo aquilo poderia ter ido em cima de mim”, relembra Dalvina. “Por sorte não pegou ela. Foi o alerta de que precisávamos resolver a situação”, recorda Marcelo.

Meses depois do incidente, começava o processo de reforma do imóvel de 95 metros quadrados, na Vila Costa Melo. O valor não poderia ultrapassar R$ 150 mil, montante acumulado pela diarista ao longo da vida.

Mãos à obra Em 2014, Marcelo recorreu ao escritório de arquitetura Terra e Tuma, indicado por parentes de sua ex-mulher. Explicou as necessidades da obra e as condições. “A documentação estava em ordem. Queríamos manter isso em ordem também. Não queríamos nenhum engenheiro assinando, e não queríamos fazer o que é muito comum no bairro: contratar um amigo, ou vizinho para fazer a obra", explica.

Foi justamente por ter conseguido otimizar o espaço a um orçamento restrito, que o escritório foi recentemente reconhecido com o prêmio internacional. Contudo, o arquiteto Pedro Tuma destacou que a opção por blocos de concreto aparente em toda a casa ao invés de materiais mais sofisticados não foi somente por conta do baixo custo.

Levamos o prêmio porque trabalhamos pela democratização da arquitetura. Essa não é uma casa virtuosa, com acabamentos de última geração. E além do orçamento restrito, usamos aqueles materiais porque é a forma como entendemos o conforto. Uma casa com blocos de concreto e estrutura aparente privilegia o espaço ao invés da superfície”, explica Tuma.

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Fonte: G1

 
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