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Segundo estudo, memória 'perdida' por Alzheimer pode ser recuperada

Segundo estudo, memória 'perdida' por Alzheimer pode ser recuperada

18/03/2016 às 09h24
Por: Adelino Júnior
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Pessoas que sofrem do mal de Alzheimer podem não ter "perdido" a memória e ter apenas dificuldade para recuperá-la. É o que sugerem pesquisadores que revelaram a possibilidade de um tratamento que pode algum dia curar os estragos da demência.

O prêmio Nobel Susumu Tonegawa afirmou que estudos realizados em ratos mostram que, estimulando áreas específicas do cérebro com luz azul, os cientistas podem conseguir que os animais lembrem experiências às quais não conseguiam ter acesso antes.

Os resultados fornecem algumas das primeiras evidências de que a doença de Alzheimer não destrói memórias específicas, mas as torna inacessíveis.

"Como seres humanos e camundongos tendem a ter princípios comuns em termos de memória, nossos resultados sugerem que os pacientes com a doença de Alzheimer, pelo menos em seus estágios iniciais, podem preservar a memória em seus cérebros, o que indica que eles têm chances de cura", afirmou Tonegawa à AFP.

Experimento A equipe de Tonegawa usou camundongos geneticamente modificados para mostrar sintomas semelhantes aos dos seres humanos que sofrem de Alzheimer, uma doença degenerativa do cérebro que afeta milhões de adultos em todo o mundo.

Os animais foram colocados em caixas por cuja superfície inferior passa um baixo nível de corrente elétrica, causando uma descarga desagradável, mas não perigosa em seus membros.

Um rato que não tem Alzheimer, e que é devolvido para o mesmo recipiente 24 horas depois, tem um comportamento medroso, antecipando, assim, a sensação desagradável.

Camundongos com Alzheimer não reagem da mesma forma, indicando que não guardam nenhuma memória da experiência.

Mas quando os pesquisadores estimulam áreas específicas do cérebro dos animais - as chamadas "células de engramas" relacionadas à memória - usando uma luz azul, os animais se lembram da sensação desagradável.

O mesmo resultado foi observado inclusive quando se colocavam os animais num recipiente diferente durante o estímulo, o que sugere que a memória teria sido retida e se ativou.

 

Boa notícia para pacientes de Alzheimer

Tonegawa disse que a pesquisa em ratos dá esperança para o tratamento futuro do mal de Alzheimer, que afeta 70% das 4,7 milhões de pessoas no mundo que sofrem de demência, um número que deve aumentar. Mas adverte que muito trabalho ainda é necessário.

"Os níveis iniciais de Alzheimer poderiam ser curados, no futuro, se conseguirmos uma tecnologia com ética e segurança para o tratamento de condições humanas", acrescentou. A pesquisa foi publicada na revista "Nature".

Via G1

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