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Saúde e Bem-estar Relatório

Relatório da Feam faz diagnóstico dos resíduos gerados por serviços de saúde em Minas

Relatório da Feam faz diagnóstico dos resíduos gerados por serviços de saúde em Minas

07/04/2016 às 16h35
Por: Adelino Júnior
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Diagnóstico divulgado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) mostra que 57,24% do lixo gerado pelos estabelecimentos de saúde de 524 municípios mineiros vão para o aterro sanitário. O dado consta do relatório da destinação dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) no estado de Minas Gerais, ano-base de 2013.

O estudo foi elaborado com base nas informações contidas nas declarações enviadas à Feam por 17 empreendimentos privados e 8 públicos, responsáveis pela gestão do tratamento e disposição final dos resíduos gerados por hospitais, postos de saúde, unidades básica, clínicas odontológicas, de estética, funerárias, laboratórios, farmácias e outros serviços.

A declaração é anual e obedeçe a deliberação normativa 171/2011, do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

Panorama

O relatório traça o panorama de 524 cidades mineiras, que representam cerca de 17,7 milhões de habitantes, o que equivale 85,8% da população total do estado.  No ano base de 2013, esses municípios geraram cerca de 34,4 mil toneladas de resíduos de serviços de saúde.

Do total de material recolhido, aproximadamente 19,5 mil toneladas tiveram como destino o aterro sanitário (57,4%). Outras 8,6 mil toneladas (25,32%) foram incineradas e 5,9 mil toneladas (17,43%) passaram pela autoclavagem, ou seja, por um sistema de tratamento térmico para reduzir o grau de contaminação e depois levadas para o aterro sanitário.

Fluxo intermunicipal

Pelos dados também é possível avaliar o perfil dos 524 municípios: 87%, ou seja, 458 têm menos de 50 mil habitantes; 53 possuem entre 50 mil e 200 mil moradores; e 13 cidades têm mais de 200 mil habitantes.

Apenas cinco municípios possuem unidade de tratamento e destinação final do resíduo dos serviços de saúde na própria cidade. O restante encaminha o material recolhido para outras localidades.

Segundo Alice Libânia, gerente de Resíduos Especiais da Feam, os dados evidenciam um grande fluxo intermunicipal e até interestadual de transporte de resíduos de serviços de saúde. “Essa informação é importante para que o Governo reforce as estratégias de controle do transporte de resíduos perigosos entre os municípios e do material que vem de outros estados”, ressalta Libânia.

Hoje esse tipo de transporte dentro do estado exige licença ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad) e a carga de outros estados precisa de autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Destinação adequada

De acordo com o diagnóstico, 95% dos municípios, a maioria de pequeno porte, preferem enviar parte ou todos os resíduos hospitalares para a incineração. Na avaliação de Libânia, a opção das cidades menores por essa forma de destinação seria pela pouca quantidade de resíduos gerada por elas. 

Estão escolhendo a forma mais cara de destinação, enquanto que, na verdade, se os estabelecimentos de saúde fizessem a segregação dos resíduos na fonte, poderiam encaminhar a maior parte do material para aterros sanitários, que é a forma de destinação mais barata”, explica.

Libânia lembra ainda que a incineração é necessária, em alguns casos, mas por ser uma atividade de elevado potencial poluidor, merece a atenção dos órgãos públicos ambientais.

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