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Índice do ensino médio de Minas cai de 3º em 2009 para 12º em 2015

Índice do ensino médio de Minas cai de 3º em 2009 para 12º em 2015

09/09/2016 às 13h17
Por: Adelino Júnior
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Com o terceiro maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país há 7 anos, Minas Gerais está atrás agora de estados como Mato Grosso do Sul, Ceará e Amazonas, 8ª, 10ª e 16ª colocação em 2009.

Minas Gerais apresentou queda no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio total (escolas públicas e privadas) pelo terceiro levantamento consecutivo, passando do 3º maior do país em 2009 para 12º no ano passado. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC), nessa quinta-feira (8).

O Ideb é calculado a partir do cruzamento da taxa de aprovação (número de estudantes que passaram de ano) com o desempenho escolar dos estudantes, medido por meio do resultado de testes padronizados de português e matemática.

As escolas de ensino médio do Estado tiveram um Ideb de 3.7 em 2015, sendo que a meta prevista era de 4.7. Apesar de ter cumprido a meta em 2007 (3.8) e 2009 (3.9), o índice mineiro estagnou em 2011 e passou a cair desde 2013, quando o índice foi de 3.8.

Com esta queda, o ensino médio mineiro caiu nove colocações entre todos os estados, ficando atrás do Mato Grosso do Sul, Ceará e Amazonas, que em 2009 - quando minas ficou com o 3º maior índice - eram 8º, 10º e 16º colocados, respectivamente. Em todo o país, o Estado que mais cresceu foi Pernambuco, que passou de 20º em 2007 (3.0) para 4º maior índice do ensino médio em 2015 (4.0).

Para o professor da Faculdade de Educação (Fae) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luciano Mendes de Faria, o ensino médio sintetiza boa parte dos problemas na área da educação. "Essa faixa é impactada com um menor investimento nos alunos, que já têm uma vida cultural, política. Eles têm muito mais clareza sobre o que desejam, mais expectativa da escola. Mas, em contrataste, há uma infraestrutura precária, como nos laboratórios e até nas salas. Sem falar que falta carreira e salário atrativos para os professores. Tudo isso está presente no ensino fundamental, mas fica mais evidente no médio", conclui.

O professor lembra ainda que houve uma transformação nos modos de acesso ao ensino superior, com o Enem, o que parece não ter sido suficientemente entendido pelos estudantes. "Isso pode ajudar a entender essa relativa queda no ensino médio. Muitos deles escutam que agora pessoas de outros Estados podem vir para Minas, e que isso torna mais difícil o ingresso à universidade, e acabam desistindo da escola. Sendo que, na verdade, com as cotas, com o aumento das faculdades que tivemos nos últimos anos, o acesso está mais facilitado", conclui Faria.

Apesar do mal desempenho no ensino médio, no ensino fundamental a situação não aparenta ser tão delicada. Com índice 6.3 nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), Minas cumpriu a meta não apenas de 2015 (6.0), como já bateu a previsão para 2017 (6.2). O número só não foi maior que o de São Paulo, que nesta faixa educacional teve 6.4.

O número não é nenhuma surpresa, já que o Brasil também bateu a meta apenas nos primeiros anos do ensino fundamental. Das 27 unidades federativas, apenas o Distrito Federal, o Rio de Janeiro e o Amapá não bateram esta meta.

Já nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), os mineiros não bateram a meta (5.0) por pouco, já que ficaram com índice 4.8. Este foi o primeiro ano desde 2007 que não cumprimos a meta, sendo que ficamos estagnados neste patamar desde 2013. Ao contrário dos primeiros anos do ensino fundamental, em que a maioria dos estados bateram a meta, somente cinco estados passaram da projeção, sendo eles Goiás (4.9), Ceará (4.8), Mato Grosso (4.6), Amazonas (4.4) e Pernambuco (4.1).

Procurada para tratar sobre os índices, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou que, como só teve acesso aos números nessa quinta-feira, a secretária Macaé Evaristo só comentará os índices durante coletiva de imprensa marcada para esta sexta-feira (9), às 15h.

BH é a melhor das capitais do Sudeste

Na manhã desta quinta-feira, durante uma coletiva de imprensa para tratar sobre a lagoa da Pampulha, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) chegou a afirmar que Belo Horizonte tem a melhor educação do Sudeste. 

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a cidade teve um Ideb de 6.1, sendo que São Paulo ficou com foi 5.8, e Rio de Janeiro e Vitória com 5.6. Em comparação com todo o país, nos anos iniciais do fundamental Minas só ficou atrás de Curitiba (6.3), seguida por São Paulo, Palmas e Teresina.

A situação se repetiu nos anos finais do ensino fundamental, faixa na qual o índice de BH foi 4.8 de uma meta de 4.9, contra 4.3 no Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória. A nota em 2013 foi 4.5, primeiro ano em que a meta foi alcançada, mas não superada, desde o início do levantamento.

Brasil

No Ideb de todos o país, a meta é cumprida nos anos iniciais do ensino fundamental desde 2005 (quando o índice começou a ser calculado). Para 2015, a meta estipulada é de 5,2. A etapa alcançou 5,5. Já nos anos finais do ensino fundamental, a meta foi descumprida pela primeira vez em 2013. Em 2015, o índice esperado de 4,7 também não foi alcançado, com um Ideb de 4,5.

Já no ensino médio, a meta não apenas não é alcançada desde 2013, como está estagnada em 3,7 desde 2011. A meta estabelecida para 2015 é de 4,3. "O Brasil está mal e vai se distanciando das metas fixadas pelo segundo Ideb consecutivo, lamentavelmente", disse o ministro da Educação, Mendonça Filho.

Em relação ao cenário brasileiro de toda a educação básica, o ministro afirmou que não se trata de um quadro que se possa celebrar. "As metas fixadas para o ensino fundamental e médio não são metas que possam ser caracterizadas como ousadas ou excesso. Todos sabem que o Brasil está distante de educação de qualidade".

[caption id="attachment_98321" align="aligncenter" width="620"]FormatFactoryimage (1) Para especialista, maior expectativa dos alunos e falta de infraestrutura estão entre motivos que levam a queda (Foto: Agência Brasil / Reprodução)[/caption]

Via: O Tempo

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