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Às vésperas de outro Enem, PF monitora grupos de fraudadores

Às vésperas de outro Enem, PF monitora grupos de fraudadores

28/11/2016 às 10h41
Por: Adelino Júnior
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Investigação policial mostrou que duas quadrilhas burlam vestibulares de ao menos oito faculdades.

Duas semanas antes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, realizado nos diasformatfactoryimage-1 5 e 6 de novembro, a Polícia Federal (PF) iniciou a operação Embuste (que significa “mentira”, “enganação”) para tentar minimizar a atuação de grupos especializados em burlar a segurança do processo seletivo, como ocorre anualmente. Até agora, além das prisões em flagrante e da quadrilha identificada em Montes Claros, no Norte de Minas, a corporação monitora ao menos mais dois grupos de fraudadores no Estado.

O objetivo é flagrar o bando em ação, no momento da fraude, para que seja configurado crime, o que pode ocorrer daqui a uma semana, quando serão aplicadas provas do Enem para cerca de 277 mil candidatos que não puderam fazer o exame no início do mês, devido à ocupação de alunos em escolas públicas. As quadrilhas agem também em vestibulares de universidades particulares. Até agora, já se sabe que, no mínimo, oito instituições de ensino são alvo das quadrilhas no Brasil. “Sem considerar, por óbvio, num incontável número que poderia ser prejudicada via Enem, já que o fraudador poderia se beneficiar, em tese, em detrimento de qualquer universidade do país”, disse o delegado Marcelo Freitas, chefe do Departamento da PF em Montes Claros.

Ele não revela o nome das instituições porque as investigações ainda estão em andamento. A princípio, segundo ele, as faculdades também são vítimas das quadrilhas e não teriam participação direta nas fraudes. Mas há suspeitas de envolvimento de funcionários, principalmente no caso de “venda direta” de vagas, quando o aluno nem sequer precisa fazer prova para conseguir a classificação. “Não há, especificamente, faculdades sendo investigadas. Mas há pessoas de dentro das universidades que estão sendo acompanhadas. O objetivo é saber qual o grau de participação em fraudes já ocorridas, com o ingresso de fraudadores no ensino superior”, explicou Freitas.

Atuação. Na edição desse domingo (27) do jornal O TEMPO, a reportagem mostrou como as quadrilhas têm agido de maneira desmedida na tentativa de convencer candidatos de cursos de medicina a participar do golpe. Eles se infiltram em cursinhos, abordam alunos na porta do vestibular, acessam grupos em redes sociais e mandam mensagens por e-mail, WhatsApp, Facebook e Telegram com vastas oportunidades de fraude. Na recente edição do Enem, dez pessoas foram presas, entre membros do bando e candidatos.

“No entanto, é preciso que a fraude ocorra para que haja a repressão. Caso contrário, sem a fraude, haverá apenas atos preparatórios, não passíveis de punição pela Justiça de nosso país”, completou o delegado. Ele disse que essas quadrilhas têm agido com certa facilidade e que vários grupos atuam em pelo menos cinco Estados do país: Minas, Pará, Maranhão, Bahia e Fortaleza. “A principal dificuldade está no aparato tecnológico utilizado, já que evoluem a cada dia. A central telefônica utilizada e o microponto acoplado ao ouvido do candidato eram praticamente imperceptíveis. Não havendo investigação em andamento, fica muito difícil de se identificar a fraude, já que os equipamentos passam facilmente, sem percepção por fiscais de prova e detectores de metais”, concluiu.

Entenda

Crime. O simples assédio ao candidato configura atos preparatórios do crime. Porém, não é possível às autoridades agir repressivamente nessas hipóteses. A ação deve ser de escola, amigos e família.

GABARITOS

Cruzamento. A Polícia Federal informou que tem feito um trabalho de cruzamento de dados para identificar gabaritos idênticos. A possibilidade de dois gabaritos serem iguais é de um a cada cinco, elevado a 45 vezes, algo semelhante a acertar quatro vezes seguidas na Mega Sena. Já foram identificados, nos Enems de 2013, 2014, 2015 e 2016, pelo menos 12 casos, três deles no último exame.

MEC. O órgão informou que não tem possibilidade de o Enem deste ano ser cancelado por fraude. Com os resultados das investigações, os alunos envolvidos serão punidos, segundo o ministério.

[caption id="attachment_104506" align="aligncenter" width="620"]formatfactoryimage Foto: Mariela Guimarães/ O Tempo[/caption]
EXAME NACIONAL

Especialistas questionam segurança

Quem sonha em ingressar em uma universidade pública no Brasil tem que, obrigatoriamente, passar pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A grandiosidade do certame, realizado em todo o país, por si só já torna sensível seu processo de segurança e avaliação. O Ministério da Educação (MEC) garante, porém, que segue todas as medidas de segurança, como a identificação biométrica e o detector de metais nos banheiros.

Mas especialistas em educação dizem que faltam fiscais para acompanhar os alunos durante a prova e também tecnologias capazes de identificar os microaparelhos usados por candidatos. “O país é imenso, e, por isso, é muito difícil ter um exame que consiga dar isonomia e medir o conhecimento de todos por igual. Já recomendamos ao MEC, por escrito, que o exame seja separado por Estados e aplicado por universidades federais, cada uma responsável por sua segurança”, sugeriu o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas, Emiro Barbini. (LC)

MINIENTREVISTA

Oscar Costa Filho, procurador do MPF do Ceará

O senhor mantém seu pedido de anulação do Enem?

A ação já está posta. Pedi que a Polícia Federal (PF) diga o que foi apurado. O juiz, no entanto, disse que o que houve no Ceará é coisa pontual. Mas como ele pode saber se a investigação está em curso? Temos o direito de saber a verdade, vamos perseguir a verdade. Ninguém vai facilitar prática de irregularidade. É preciso que haja uma postura institucional. O Ministério da Educação fala que houve fraude, mas que foi individual. E se não for? Como vai ser? Tem que admitir. Validar um concurso fraudado é premiar a injustiça.

A PF já confirmou que a quadrilha teve acesso antecipado ao gabarito da prova. O que isso muda na ação do senhor?

Muda apenas o que vamos levar à Justiça, as provas que nos permitam ter compreensão sobre a extensão da fraude, porque fraude já sabemos que existiu.

Como o senhor avalia a segurança do Enem?

Falam que pegamos muito no pé do Enem, mas na verdade estamos vigilantes. A segurança do Enem é um problema permanente, até porque o exame é um sistema que não acontece só no dia da aplicação da prova. As questões são preparadas, transportadas e pode haver vazamento. A lisura sempre foi questionada porque tem gente que tenta tirar vantagem. O transtorno está na possibilidade de transformar um concurso fraudado em justo. Não adianta querer botar sujeira atrás do tapete. (LC)

Via: O Tempo

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