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Ruas de Uberlândia são 'invadidas' por sem-teto vindos do interior de São Paulo

Ruas de Uberlândia são 'invadidas' por sem-teto vindos do interior de São Paulo

13/08/2013 às 10h14
Por: Adelino Júnior
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[caption id="attachment_16080" align="alignnone" width="600"]Foto: Araípedez Luz P10 / Prefeitura de Uberlândia Divulgação Em julho, prefeitura, PM, ONGs e Ministério Público, discutiram situação da população de rua[/caption]

O crescimento no número de moradores de rua em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, tem provocado divergências entre a prefeitura da cidade e municípios vizinhos, principalmente, do interior de São Paulo.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho da cidade mineira afirma que tem conhecimento de denúncias contra órgãos de assistência social das prefeituras vizinhas que estariam estimulando essas pessoas a migrarem para Uberlândia em busca de emprego e moradia. Em uma das denúncias, consta que até um ônibus estava sendo oferecido para fazer o transporte até a cidade.

Há cerca de 700 pessoas morando nas ruas do município. Porém, segundo um levantamento feito pela secretaria no mês passado, apenas metade delas tem vínculo familiar no local. A maioria teria vindo de cidades próximas, como Ribeirão Preto e Barretos, mas também da capital paulista e de Campinas, que ficam a mais de 500 km de Uberlândia.

“Observamos que, por conta dos eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, as cidades estão endurecendo o tratamento reservado aos moradores de rua, no sentido de querer afastá-los, e Uberlândia tem sido usada como rota dessa migração”, afirmou o secretário à frente da pasta, Murilo Ferreira. Para identificar o perfil e o histórico desses imigrantes, o órgão prepara uma pesquisa mais detalhada, que deve ser concluída no fim deste mês.

Acesso à terra. Na avaliação do professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Alisson Barbieri, os eventos estão provocando fluxos migratórios no país, mas ainda é cedo para afirmar que o caso de Uberlândia se encaixa nesse perfil. “Investimentos feitos de forma apressada podem gerar um deslocamento forçado. Especialmente nos casos em que as indenizações não são suficientes para comprar um novo terreno no mesmo local, as pessoas vão a outros municípios, onde é mais fácil o acesso à terra. Mas ainda não dá para saber se isso explica esse movimento”, explica.

O professor de pós-graduação em geografia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Durval Fernandes destaca outros fatores que podem explicar a situação vivida pela cidade. “Uberlândia é um polo de atividade econômica da região, e os moradores de rua vivem das benesses de terceiros. Então, é preciso ter uma população com renda. Mas, mais do que isso, eles mesmos estão fugindo da violência a que estão submetidos nas grandes cidades”.

O Tempo.

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