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Professora faz greve de fome em protesto por causa de voçoroca em MG

Professora faz greve de fome em protesto por causa de voçoroca em MG

05/12/2012 às 11h05
Por: Adelino Júnior
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Essa foi a única maneira que Cássia encontrou de chamar a atenção (Foto: Reprodução/TV Integração)         Professora faz greve de fome em protesto por causa de voçoroca em MG Fenômeno em Frutal tem mais de 20m de profundidade e 80 de extensão. Secretário disse que plano emergencial deve ser feito ainda em dezembro. A professora Cássia Augusta Santos está em greve de fome há 23 horas e instalada na rua onde ficam a Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Ministério Público e Fórum de Frutal, no Triângulo Mineiro. O protesto é por causa de uma voçoroca, com mais de 20 metros de profundidade e 80 metros de extensão, que está a 18 metros da casa dela. “Aqui está mais seguro do que na minha casa e vou ficar até a hora que tiver uma posição sobre o problema”, ressaltou. Segundo Cássia, essa foi a única maneira que ela encontrou para chamar a atenção das autoridades. A professora chegou ao local às 13h dessa segunda-feira (3) e completa 23 horas seguidas de protesto. “As pessoas ficam na janelinha olhando, passam por aqui e viram a cara para o outro lado e falam que estou querendo aparecer e ser oportunista, mas quem conhece a situação da voçoroca sabe que não é verdade”, afirmou. De acordo com ela, nesta terça-feira (4), o defensor público entrou com um pedido de segurança. “Só a Justiça se pronunciou até agora. Um promotor, um juiz e dois defensores públicos me procuraram e estão dando todo o apoio. Um defensor público entrou com pedido de segurança e, assim, vou ficar mais tranquila porque eu não estou”, disse. “Eu quero que a voçoroca seja arrumada e o problema solucionado, porque ele não atinge só a mim, tem mais um tanto de gente que mora próximo e também está nesta situação. Estou representando esse povo, que por medo acaba não tendo coragem de reivindicar”, completou Cássia. Ainda segundo a professora, que não está trabalhando durante esses dias, os amigos se revezam para fazer companhia a ela, que passou, inclusive, a noite no local. “Enquanto eu ficar aqui cada dia vem alguém. Os meus alunos vêm toda hora e a população em geral também. Alguns me parabenizam, tem gente que quer tirar foto e outros me chamam de doida”, confessou. Cássia levou para o lugar uma barraca, colchão, toldo, cadeira e cavalete com todas as imagens da voçoroca, que é identificada como ‘imagem da tragédia anunciada’, além de uma faixa grande, que está pendurada no poste, e um fio que isola a área. “Eu estou com uma camiseta preta escrita ‘greve de fome’ e com uma corrente no pé presa em uma palmeira. Fiquei sentada na cadeira até de madrugada e depois fui dormir na barraca e hoje voltei para a cadeira”, contou. Quase um dia sem comer ela garantiu que está aguentando firme. “Estou com sono porque não dormi à noite, vigiando, mas está tranquilo até agora e só estou tomando água. Estou exposta ao sol, com chapeuzinho na cabeça e mais tarde meus amigos vão organizar para eu tomar um banho”, concluiu Cássia. Relembre o caso A fenda é um fenômeno natural chamado de voçoroca e o problema já ultrapassa um quilômetro. Em setembro de 2011 chegava até bem do lado de uma árvore. Em um ano e dois meses a profundidade da cratera já atinge mais de 20 metros e a extensão do problema aumentou 80 metros ficando muito próximo da área residencial. A casa de Cássia fica a quase 18 metros da enorme cratera aberta no meio de uma Área de Preservação Permanente (APP). Uma creche funciona há menos de 15 metros do buraco onde são atendidas mais de 130 crianças. O geógrafo da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg), Leandro de Souza Pinheiro, fez estudos no terreno e constatou a gravidade. “O principal agente causador é o escoamento pluvial. Nós chamamos de enxurrada, quando a água vem da área urbana, num volume muito grande. E uma outra questão é a velocidade que vem esse fluxo de água”, explicou Leandro. O secretário de Meio Ambiente de Frutal, José de Souza Neto, alegou que foi feito um projeto de recuperação da área que não foi executado por falta de dinheiro. Ele disse, também, que um plano emergencial deve ser feito ainda em dezembro. “Uma equipe de engenheiros está analisando para fazer um projeto amplo para que seja dada definitivamente a resolução para o problema. Para evitar um impacto maior eu acredito que nessa gestão ambiental devam ter algumas medidas para contenção e resolução pelo menos de imediato para esse problema”, explicou José.   Ouça a Entrevista da Repórter Eva Santos
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