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Dólar vai encarecer alimento, combustível e eletroeletrônico

Dólar vai encarecer alimento, combustível e eletroeletrônico

04/05/2018 às 14h45
Por: Adelino Júnior
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A alta do dólar deve provocar aumento nos preços de combustíveis, alimentos e eletroeletrônicos. Economistas já preveem impacto de até mais 0,5 ponto percentual no resultado fechado do ano da inflação, cujas previsões hoje giram em torno dos 3%. Isso se a cotação da moeda se mantiver no patamar atual, nas casa dos R$ 3,50 – valorização de quase 11% em relação ao início do ano ou mais R$ 0,30. “É claro que, apesar da demanda (do consumidor) fraca, se o dólar se consolidar num patamar mais alto, os R$ 3,50 ou pior, em função do cenário externo e da incerteza política e tivermos novas desvalorizações, as projeções para o IPCA tendem a subir, pelo menos bem mais do que as projeções indicavam antes. Ou seja, o tal do ‘novo’ normal de IPCA de 3% infelizmente já era”, avalia Luiz Roberto Cunha, economista da PUC Rio. Segundo os economistas, o impacto mais imediato deve ocorrer no preço da gasolina, já que a Petrobras revisa diariamente os valores cobrados nas refinarias, considerando, entre outras variáveis, o câmbio e o preço do barril de petróleo no mercado internacional, que também tende a crescer com a valorização da moeda norte-americana. Os preços do milho e da soja, cotados no mercado externo em dólar, também devem sofrer reajustes e impactar seus derivados, como pães, biscoitos, macarrão, óleo e ração animal. Produtos que têm componentes importados em sua fabricação, como eletroeletrônicos, também podem sofrer aumento de preços. À exceção da gasolina, os demais preços só devem aumentar no segundo semestre, porque ainda estão sendo escoados produtos sob a vigência do câmbio mais baixo do primeiro trimestre. “Não fosse o embargo à exportação de frango brasileiro, também teríamos aumento de preços das carnes, mas, com a oferta maior no mercado interno, não vamos sentir o efeito dólar, mesmo com a ração animal encarecendo”, ressalta Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC, complementando que, com esses aumentos, o IPCA pode chegar a 3,6% neste ano, 0,4 ponto percentual maior do que a previsão atual do banco. Alessandra Ribeiro, da Consultoria Tendências, diz que, se o dólar estabilizar no patamar atual, a inflação pode saltar de 3,7%, previsão atual para o ano, para 4,2%. “Para industriais que exportam é uma boa notícia, mas, para a ala da indústria que consome insumos importados e máquinas e equipamentos, que vem crescendo, isso pode ser um freio. Então, a notícia não é tão boa para os investimentos”, complementa. Segundo os analistas, a pressão inflacionária só não será maior porque o IPCA acumulado em 12 meses está muito abaixo da meta atualmente, em 2,68%, ou seja, tem uma boa folga em relação à meta de 4,5% do BC. E a atividade caminha a passos lentos, assim como o consumo das famílias, freando repasses maiores aos preços. “Esse susto do dólar é pior em termos de crescimento econômico porque mina a confiança dos agentes econômicos. Ao dar uma sensação de que as coisas não estão bem, restringe consumo e investimentos. O impacto psicológico é maior do que o que será sentido no bolso. Até porque está certo que haverá mais um corte da Selic (taxa básica de juros), de 0,25 (ponto percentual, para 6,25% ao ano)”, diz Leal. No ano. A previsão do mercado é que a inflação deve fechar o ano em 3%. Impacto do dólar nos preços pode elevar o índice para 3,5%. Meta da inflação do BC é de 4,5% para este ano. Fonte: O TEMPO
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