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Derrota de Cigano é marcada por excesso de confiança

Derrota de Cigano é marcada por excesso de confiança

31/12/2012 às 10h04
Por: Adelino Júnior
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Depois de digerir por quase um dia a luta e assisti-la algumas vezes novamente, além de ler muita coisa que foi dita sobre ela (principalmente bobagens), vou tentar fazer uma análise da derrota de Junior Cigano para Cain Velasquez no último sábado, no UFC 155, levando em conta o que vi de muito perto, o que acompanhei na semana passada e o que falei com ele após o combate. O principal ponto que prejudicou Junior no confronto foi o excesso de confiança. O discurso dele e de sua equipe nos últimos dias sempre o jogava para cima, muito para cima. Às vezes era dito o quão bom era Cain, mas faltou um pouco de humildade ao tratar do rival. Era como se o brasileiro pudesse vencê-lo quando e como quisesse, com a mesma facilidade que ele teve na primeira luta em novembro de 2011. Isso foi o que ele mostrou dentro do octógono. Sua passada estava errada, ele não se movimentou nem perto do que ele fez em seus últimos combates, cruzou as pernas, estava sem velocidade. Mas o mais grave foi sua guarda baixa. Ele nunca fez isso, parecia confiante demais na sua esquiva e no seu contra-ataque. E foi exatamente assim que ele levou o golpe que definiu a luta. Após os primeiros minutos em que ele se apresentou desse jeito e apenas se preocupando em se defender das quedas, levou um direto de Velasquez e sofreu o primeiro knock-down de sua carreira no UFC. Ele nunca tinha caído com um golpe. O estrago foi grande, principalmente pela sequência de socos subsequente que minaram de vez a capacidade de reação do brasileiro. Ele virou vítima fácil para as quedas e o ground-and-pound de Cain. Agora vamos a outro grande problema: o erro tático. Isso foi levantado pelo próprio Junior quando falei com ele, ainda no hospital, após a luta. Segundo o próprio, ele ficou mais preocupado em o que Cain iria fazer do que com o que ele teria de apresentar. Ele se preocupou mais em ficar se defendendo das quedas e, com isso, levou muitos golpes no rosto. E, por fim, não tentou usar seu jiu-jítsu em momento algum, sempre buscando ir para a luta em pé novamente, a pedido de seu córner. Mas temos de exaltar, e muito, o coração e a resistência que ele apresentou no combate. Foi incomum, fora do normal, e apenas uma pessoa muito bem preparada fisicamente conseguiria fazer isso. Não é qualquer um que leva aquele primeiro golpe e se levanta novamente. E não é para todo mundo suportar a saraivada de socos que tomou por 25 minutos. Isso tem de ser comemorado. Em suas lutas anteriores, ele já mostrou que é um dos mais técnicos lutadores do UFC, que tem um boxe talentoso o suficiente para nocautear qualquer um. Essa derrota serve para ele aprender com seus erros, e tenho certeza que ele vai. Um profissional tão dedicado quanto ele não vai deixar barato o que aconteceu no último sábado e aposto que ele voltará ainda melhor.

O campeão entregou? Momento bronca

Esses parágrafos são para aqueles que disseram que Junior Cigano entregou a luta de olho nas vantagens financeiras que por ventura venha a conquistar com um terceiro combate contra Cain Velasquez. É realmente possível imaginar que uma pessoa coloque em risco, daquela maneira, sua integridade física apenas por dinheiro?? O que eu PESSOALMENTE vi no hospital mostra muito bem que isso não é possível. O dano é muito grande para se fazer isso por dinheiro. Foram centenas de golpes, risco de fraturas, concussões, traumas das mais diversas maneiras para um profissional que treinou e sofreu tanto para essa luta nos últimos meses. Por que se desgastar tanto e por tanto tempo para simplesmente entregar um combate?? Cigano chorou muito nos bastidores do MGM Grand Garden Arena, lágrimas sinceras de uma derrota. Para quem REALMENTE acha que ele entregou, alguns recados. Estude um pouco mais sobre esse esporte, assista mais lutas, leia mais sobre o assunto. Pois se você acha isso possível, você entende muito pouco de MMA. Se ainda assim você achar isso, o convido a nunca mais ver uma luta ou acessar esse blog. Nada disso faria sentido, não teria porque eu estar aqui se isso fosse possível de acontecer. Se você discorda de mim ou do que acabei de escrever, me mande um email com seus argumentos – [email protected] – que farei um post rebatendo todos que chegarem.
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