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Saúde e Bem-estar Medicamento

Medicamento vital falta 4 dias na Farmácia da Secretaria de Estado

Medicamento vital falta 4 dias na Farmácia da Secretaria de Estado

10/01/2014 às 10h51
Por: Adelino Júnior
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O problema é que os pacientes não podem ficar nem um dia sem ele, que é essencial para as pessoas que fizeram transplante, principalmente de fígado e rins, para evitar a rejeição do novo órgão.    
JOANA SUAREZ / NATÁLIA OLIVEIRA
O medicamento imunossupressor Tacrolimus ficou em falta durante quatro dias na Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES). O problema é que os pacientes não podem ficar nem um dia sem ele, que é essencial para as pessoas que fizeram transplante, principalmente de fígado e rins, para evitar a rejeição do novo órgão.
Os pacientes reclamaram da ausência do remédio desde a última segunda-feira. Apenas no final da tarde de ontem o fornecimento foi normalizado. Médicos dizem que não é a primeira vez que isso acontece e alertam para o perigo que esse tipo de atraso pode representar para os transplantados.
Quando é feito o transplante, o corpo combate o novo órgão por não o reconhecer. Por isso, o Tacrolimus é tomado diariamente, de 12 em 12 horas, durante o resto da vida do paciente. “O remédio baixa a imunidade do paciente para que não exista essa rejeição do órgão transplantado”, explicou o hepatologista Leandro Fonseca. O tratamento é utilizado em cerca de 90% dos casos de transplantes de rins e fígado, e em 40% dos de coração. As outras opções de remédios são piores e têm efeitos colaterais mais fortes. Apenas o governo fornece o Tacrolimus de forma gratuita. O remédio não é vendido em farmácias comuns. Se o paciente ficar 24 horas sem tomar o comprimido, ele começa a ter reações como inflamação do fígado. “Se passar uma semana sem o remédio, ele pode perder o órgão transplantado. Essa falta é gravíssima e não pode continuar ocorrendo”, ressaltou Fonseca. Quem ficou sem o medicamento pegou emprestado de pacientes que tinha sobras. Outros que tomavam dosagem menor chegaram a dividir cápsulas em farmácias de manipulação, que é uma operação arriscada, segundo os médicos, porque não garante a eficácia. Quando o contador Renato Machado, 61, chegou à farmácia do governo e teve a notícia de que não tinha o medicamento que garante a saúde dele, ele ficou em pânico só de pensar em perder o fígado que salvou a sua vida. “Não posso ficar sem ele nem um dia. Não quero sentir novamente todos os sintomas horríveis da rejeição. Já fiz dois transplantes e tem sido uma luta para mim e minha família. Contamos muito com o governo”, disse Machado, emocionado. Ontem ele pegou as cápsulas para tomar a partir de hoje. Médicos alegam que o medicamento faltou em dezembro, mas a SES não confirma. “Já teve outros problemas de entrega do fornecedor e é um desespero porque o risco de rejeição é grande”, afirmou o médico nefrologista Ladislau José Fernandes Júnior. Distribuição Locais. Na capital, o medicamento é distribuído no Núcleo de Assistência Farmacêutica (NASF), na avenida Brasil, 688. No interior do Estado, há outros 27 núcleos de distribuição. O Tempo
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