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Saúde Minas Gerais

Tempo seco aumenta número de atendimentos no Hospital Infantil João Paulo II

Aliada ao frio, baixa umidade do ar provoca maior incidência de casos de crianças com doenças respiratórias

12/07/2021 às 11h55
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais
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Nesta época do ano, em que as temperaturas estão mais baixas e o tempo mais seco, é comum o aumento no número de atendimentos a crianças com doenças respiratórias no Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), da  Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Em 2021, somente de abril a junho, já foram atendidas 3.311 crianças com problemas respiratórios na unidade. Um aumento de mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.258 atendimentos. O crescimento também foi observado nas internações no CTI da unidade, que passaram de 768 para 1.353.

O pneumologista pediatra do HIJPII Alberto Vergara acredita que o aumento dos casos é consequência da redução do distanciamento social. “Ano passado, com as pessoas mais isoladas em razão da covid-19, as crianças tiveram menos contato social, evitando o contágio interpessoal e, consequentemente, desenvolvendo menos infecções virais. Com isso, o número de atendimentos pediátricos caiu 80%”, contextualiza o pneumologista.

Cecília, de 8 anos, esteve internada na unidade em consequência de uma doença respiratória. “Minha filha tinha sintomas de gripe, se queixava de dor de cabeça e garganta e apresentava saturação baixa (dificuldade de respirar). Tivemos muito medo que ela estivesse com covid-19. Mas o exame deu negativo e ela foi diagnosticada com uma crise de asma”, conta a mãe, Nathália Cássia de Alcântara.

Segundo o pneumologista Alberto Vergara, o tempo seco costuma desencadear crises asmáticas, aumento de rinite alérgica e dermatite atópica, além de infecções virais respiratórias e infecções bacterianas secundárias aos quadros virais. “A baixa umidade relativa do ar pode desidratar as secreções do líquido pêro-ciliar e alterar a limpeza das secreções das vias respiratórias, dificultando a eliminação de micro-organismos. Por isso, recomenda-se o aumento do consumo de água e a aplicação de soro fisiológico nasal”, explica.

Prevenção

Manter hábitos saudáveis é a melhor forma de prevenir essas infecções. Alimentação variada - com consumo adequado de frutas, verduras, legumes, carboidratos, proteínas e gorduras -, hidratação, uma boa noite de sono e exercícios físicos regulares ajudam a fortalecer o sistema imunológico e prevenir doenças, como recomenda Alberto Vergara.

Além disso, de acordo com o pneumologista, evitar aglomerações e lugares mal ventilados, higienizar as mãos com frequência e usar máscara, que são as medidas já adotadas para a prevenção da covid-19, também ajudam a prevenir o contágio de outras doenças respiratórias.

O médico aproveita, ainda, para lembrar sobre a importância de vacinar as crianças. “Os responsáveis devem estar atentos ao cartão de vacinação e não esquecer da imunização contra a Influenza, que está disponível, nos postos de saúde, para crianças de 6 meses a 5 anos”.

Automedicação

Vergara alerta para o perigo da automedicação, incluindo a suplementação vitamínica. “A suplementação só é indicada em casos comprovados de hipovitaminose. Ou seja, são necessários exames e avaliação médica. O consumo em excesso de vitaminas, como a vitamina D, que muitas pessoas costumam repor por conta própria, pode provocar problemas graves”, afirma. 

“A medicação com antialérgicos, antitussígenos (usados para tratar tosse seca), mucolíticos (xaropes expectorantes) e antibióticos também não deve ser feita sem a recomendação de um médico”, completa. O uso de medicamentos sintomáticos, sem uma avaliação profissional, é indicado para tratar apenas os sintomas leves, quando não há comprometimento do estado geral, nem sinais de alerta. 

“Quando a febre consegue ser controlada com a medicação, a criança consegue se alimentar razoavelmente bem, está brincando e interagindo normalmente”, explica o pneumologista. No entanto, caso haja piora ou persistência dos sintomas, a recomendação é procurar assistência. 

“Quando a febre não cede, a criança fica prostrada, não alimenta, apresenta dificuldade para respirar, vômitos, sonolência, febre alta (a partir de 39 graus) ou diminuição da urina, o recomendado é que o responsável a leve a um centro de saúde para avaliação médica”, orienta Vergara.

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